Na abertura da 30.ª Conferência das Nações Unidas do Clima (COP30), o subsecretário-geral da ONU, Jorge Moreira da Silva, destacou a necessidade urgente de os países desenvolvidos financiarem a transição energética no Sul Global. Segundo ele, é fundamental que as economias em desenvolvimento deixem de depender dos combustíveis fósseis, mas isso só será possível com o apoio financeiro adequado.
“Como podemos pedir a países em desenvolvimento que deixem o petróleo e o gás no chão, se não os apoiamos na sua descarbonização?”, questionou Moreira da Silva, enfatizando a injustiça que as alterações climáticas impõem a nações que, apesar de emitirem pouco carbono, são as mais afetadas pelos seus efeitos. Ele citou Moçambique como exemplo, um país que representa apenas 0,1% das emissões globais, mas que sofre severamente as consequências das mudanças climáticas.
O diretor executivo do Gabinete das Nações Unidas para os Serviços (UNOPS) revelou que, atualmente, os países desenvolvidos destinam cerca de 120 mil milhões de dólares por ano aos países mais pobres, um valor que está muito aquém dos 2,7 biliões de dólares anuais necessários para apoiar a descarbonização e a adaptação às alterações climáticas. “Na COP29, acordou-se que o financiamento deveria aumentar para 300 mil milhões de dólares por ano, mas ainda assim, isso não é suficiente”, afirmou.
Moreira da Silva sublinhou que, mesmo com o aumento do financiamento público e a mobilização de capitais privados, o total ainda representará apenas pouco mais da metade do que os países em desenvolvimento realmente necessitam. A meta de alcançar 1,3 biliões de dólares anuais até 2035 é um desafio que continua a ser debatido, especialmente em Belém, onde as negociações prosseguem.
Entre as propostas discutidas para aumentar o financiamento, estão a taxação da moda de luxo, da tecnologia e dos produtos militares. O subsecretário-geral da ONU também destacou que, no ano passado, em 90% dos países, a nova capacidade renovável foi mais barata do que a tecnologia fóssil, reforçando a ideia de que o investimento em combustíveis fósseis está a tornar-se cada vez menos viável.
Jorge Moreira da Silva fez um apelo à interdependência global, afirmando que a descarbonização nos países desenvolvidos não terá impacto se não houver um esforço semelhante no Sul Global. “É como a pandemia de covid-19; se não vacinássemos o Sul, nunca estaríamos seguros. Com as alterações climáticas, a situação é idêntica”, concluiu.
A COP30, que decorre em Belém, conta com a participação de representantes de cerca de 170 países e será a primeira vez que a conferência climática se realiza na maior floresta tropical do mundo, um ecossistema crucial para a regulação da temperatura global. As negociações vão prolongar-se até ao dia 21, podendo ser alargadas, e a preparação para este evento tem sido marcada por desafios logísticos significativos.
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Fonte: Sapo





