Paulo Macedo, líder da Caixa Geral de Depósitos, afirmou que Portugal possui as condições necessárias para um crescimento económico mais robusto, mas que isso depende da resolução de questões que têm sido barreiras ao desenvolvimento do país. Durante o “Portugal Capital Markets Day”, promovido pela Euronext Lisboa, Macedo sublinhou a importância de reduzir a burocracia e aumentar a fluidez no mercado de trabalho, além de promover um ambiente fiscal mais favorável.
O banqueiro elogiou a estabilidade que a fixação da taxa de IRC para os próximos três anos trouxe, mas enfatizou que é necessário ir mais além. Para ele, o investimento em requalificação profissional, tanto de trabalhadores como de gestores, é fundamental, assim como a promoção de um ecossistema de startups que possa dinamizar a economia.
Macedo apresentou um estudo da consultora McKinsey que aponta para a possibilidade de duplicação do PIB nacional nos próximos 15 anos, desde que sejam implementadas as medidas adequadas. Entre estas, destacou a criação de empresas industriais de maior dimensão, capazes de competir a nível internacional e oferecer melhores salários. “Portugal precisa de capital e tem boas oportunidades para a aplicação desse capital”, afirmou.
O CEO da Caixa defendeu ainda o desenvolvimento do mercado de capitais como uma alternativa ao financiamento bancário. A maioria das empresas portuguesas ainda depende do sistema bancário para se financiar, mas Macedo considera que o mercado de capitais pode oferecer soluções mais diversificadas. Ele descreveu o sistema financeiro nacional como sólido, com todos os principais bancos a apresentarem rentabilidade.
Além da estabilidade política e financeira, Macedo acredita que a remoção de entraves estruturais é crucial para o crescimento económico. Ele destacou que, apesar das margens de lucro estarem a diminuir devido à política monetária do Banco Central Europeu, o sistema bancário está preparado para conceder crédito e ser um parceiro no desenvolvimento económico.
Durante a sua intervenção, Macedo também abordou a evolução da perceção externa sobre Portugal, mencionando que o país não está na lista de nações com dificuldades orçamentais, como França. “Há cinco ou quatro anos, ninguém pensaria que Portugal não estaria no Club Med”, disse, referindo-se à ausência do país em listas de países com problemas económicos.
O líder da Caixa destacou ainda as vantagens competitivas de Portugal, como os custos de energia mais baixos, uma força de trabalho competitiva e uma qualidade de vida elevada. Ele sublinhou a localização estratégica do país, longe de zonas de tensão no comércio internacional, o que pode ser um trunfo num contexto de produção concentrada na Ásia.
Para Macedo, o futuro do crescimento económico de Portugal depende da capacidade de remover entraves estruturais e de criar um ambiente que estimule o capital e a inovação. “Menos burocracia e mais flexibilidade laboral são essenciais para elevar salários e reter talento”, concluiu.
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Fonte: ECO





