A Comissão Europeia apresentou previsões económicas que revelam um cenário mais pessimista do que o do Governo português, antecipando um défice orçamental de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. No relatório divulgado esta segunda-feira, Bruxelas estima que o saldo orçamental será nulo este ano, com um crescimento da economia de 1,9% em 2025 e 2,2% em 2026.
Comparando com as previsões do Ministério das Finanças, a Comissão valida as expectativas de crescimento do PIB, mas não acredita que os excedentes orçamentais se mantenham. O Governo português prevê um excedente de 0,3% para este ano e de 0,1% no próximo, mas a Comissão Europeia sugere que esses excedentes não se concretizarão, prevendo uma deterioração do saldo orçamental.
“Prevê-se que os excedentes orçamentais anteriores diminuam, com um défice estimado em 0,3% do PIB em 2026, enquanto a dívida pública deverá continuar a diminuir para menos de 90% do PIB até ao final do horizonte de previsão [2027]”, refere o relatório. O cenário do Governo é apoiado por algumas instituições, mas a maioria antecipa um regresso aos défices, com exceção do Fundo Monetário Internacional, que prevê um saldo nulo.
Em 2025, a Comissão projeta um crescimento robusto da receita, impulsionado pelos impostos indiretos e contribuições sociais, que ajudarão a compensar o aumento da despesa. Contudo, a receita dos impostos diretos deverá crescer abaixo do PIB nominal, refletindo as recentes alterações ao IRS. O aumento dos salários na Função Pública e o bónus de pensões também contribuirão para um aumento das despesas correntes.
Para 2026, a previsão é de um défice orçamental de 0,3% do PIB, devido a novas medidas que deterioram o saldo, além de um ligeiro aumento nas despesas com juros. A política orçamental deverá manter-se expansionista em 2026, mas tornar-se contracionista em 2027, devido à diminuição do apoio das despesas financiadas pela União Europeia.
A procura interna deverá continuar a ser um motor do crescimento económico em Portugal, mesmo face à incerteza do comércio global. A Comissão prevê um crescimento do PIB de 1,9% este ano e 2,2% em 2026, alinhando-se com as expectativas do Governo. O consumo privado deverá crescer de forma constante, impulsionado pelo aumento do rendimento das famílias e pela diminuição da taxa de poupança.
Além disso, espera-se que o investimento cresça mais rapidamente do que o consumo privado, especialmente com a utilização dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A inflação deverá diminuir para 2% em 2026 e 2027, enquanto o desemprego deverá continuar a descer, acompanhando a criação de novos empregos.
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Fonte: ECO





