A administradora de insolvência do Boavista apresentou um pedido ao Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia para que seja ordenado o encerramento do clube. Esta solicitação surge após a decisão da direção do Boavista de abdicar de competir no último escalão distrital da Associação de Futebol do Porto.
O requerimento, datado de segunda-feira e que chegou ao conhecimento da agência Lusa, revela que a comissão de credores se pronunciou a favor do encerramento da atividade do clube. A administradora de insolvência justifica a sua posição com o facto de o Boavista estar a gerar prejuízos para a massa insolvente, acumulando assim uma dívida significativa.
Em setembro, a liquidação do Boavista foi aprovada, com os credores a rejeitarem um pedido de adiamento de 30 dias para a votação do plano de recuperação apresentado pela direção liderada por Rui Garrido Pereira. Este, por sua vez, recorreu da decisão e afirma que tomará todas as medidas necessárias para garantir o funcionamento regular do clube.
O Boavista, em comunicado, anunciou que irá apresentar um requerimento ao tribunal para impedir uma decisão que, embora reversível, teria efeitos imediatos prejudiciais para o clube, os seus atletas e o desporto português. A continuidade da atividade do Boavista é considerada essencial para preservar o seu valor institucional e histórico, especialmente numa altura em que o clube não possui uma equipa de futebol sénior masculina.
A direção do Boavista sublinha que o modelo de gestão aplicado à liquidação de sociedades comerciais não é adequado para clubes desportivos, que desempenham uma função social importante. O eventual encerramento do clube não significaria o fim do Boavista, mas teria um impacto negativo em toda a comunidade.
Rui Garrido Pereira pediu uma intervenção urgente do tribunal para garantir o cumprimento do protocolo entre o clube e a SAD, ou, em alternativa, a libertação das instalações do Estádio do Bessa, atualmente sob gestão da SAD, que se encontra em situação de insolvência.
A direção reafirma o seu compromisso com a defesa dos praticantes e do património desportivo do Boavista, revelando que está em negociações com várias entidades para viabilizar a recuperação financeira e desportiva do clube. O Boavista detém 10% do capital social da SAD, que deveria competir na II Liga na época 2025/26, mas que, devido a problemas financeiros, foi relegada administrativamente para o principal escalão da AF Porto.
O clube inscreveu-se na quarta divisão distrital, mas, devido às dívidas da SAD e a impedimentos de inscrição de novos atletas junto da FIFA, decidiu não competir em outubro, não tendo realizado qualquer partida nesta época. A SAD, liderada por Fary Faye, continua a trabalhar para resolver as restrições impostas pela FIFA, que afetam a inscrição de jogadores.
O Boavista, que foi despromovido à II Liga em maio, após uma temporada difícil, enfrenta agora um futuro incerto, mas a sua direção mantém a esperança de uma recuperação. Leia também: O impacto da insolvência no desporto português.
Leia também: Novo consórcio do Center for Responsible AI foca na saúde
Fonte: Sapo





