Ataques a civis no Sudão: dezenas de mortos em Kalogi

Recentes ataques aéreos em Kalogi, uma cidade no Sudão controlada pelo exército, resultaram na morte de dezenas de civis, incluindo muitas crianças. Os ataques, atribuídos a paramilitares, ocorreram na quinta-feira e atingiram uma creche, um hospital e ainda pessoas que tentavam socorrer as vítimas. Al-Din al-Sayed, um responsável local, confirmou à agência France Presse (AFP) que o número de mortos pode ascender a 79, sendo 40 crianças.

A região de Kordofan, onde se localiza Kalogi, tem sido palco de intensos combates entre as Forças de Apoio Rápido (FSR) e o exército sudanês desde abril de 2023. A comunicação na área é complicada, dificultando a verificação de informações. A UNICEF também reportou que mais de dez crianças, com idades entre cinco e sete anos, perderam a vida nos ataques. As autoridades do exército, por sua vez, elevaram o número de mortos para 79, incluindo 43 crianças.

A situação humanitária no Sudão continua a deteriorar-se, com a União Africana a registar mais de 100 mortos em decorrência dos conflitos. O presidente da organização, Mahmoud Ali Youssouf, expressou a sua consternação face às crescentes atrocidades contra civis. Sheldon Yett, representante da UNICEF no Sudão, denunciou a violência, afirmando que “matar crianças na escola é uma violação horrível dos direitos da criança” e apelou por uma trégua humanitária.

A guerra entre o exército e as FSR já causou dezenas de milhares de mortos e forçou 12 milhões de pessoas a abandonar as suas casas, levando a ONU a classificar a situação como a pior crise humanitária do mundo. A captura de El-Facher, um importante bastião do exército em Darfur, no final de outubro, permitiu que as FSR lançassem uma ofensiva em Kordofan, uma região rica em recursos agrícolas e minerais.

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Analistas indicam que o avanço dos paramilitares visa desestabilizar as defesas do exército, preparando o terreno para uma possível contraofensiva em direção à capital, Cartum. Até agora, os combates já forçaram mais de 40.000 pessoas a fugir da região de Kordofan. O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, expressou preocupação com uma possível nova onda de atrocidades, referindo-se a relatos de represálias, detenções arbitrárias e violência sexual.

Os ataques em Kalogi ocorrem num contexto de acusações mútuas entre as forças em conflito. Na mesma região, um camião do Programa Alimentar Mundial foi atacado, dificultando ainda mais a entrega de ajuda humanitária. O enviado especial dos EUA, Massad Boulos, condenou a violência e pediu às partes envolvidas que cessem as hostilidades e permitam o acesso humanitário. As tensões continuam a aumentar, com o exército a acusar os Emirados Árabes Unidos de fornecer armas às FSR, uma alegação que Abu Dhabi nega.

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Fonte: Sapo

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