Em 2025, o setor segurador português apresentou um crescimento notável, com lucros líquidos a atingirem 414 milhões de euros no primeiro semestre, o que representa um aumento de cerca de 21% em relação ao ano anterior. Este desempenho robusto é um sinal positivo para a confiança no mercado, que se traduziu numa produção de seguros diretos que ultrapassou os 7,9 mil milhões de euros, com o ramo Vida a crescer 19,4% e o Não Vida a registar um aumento de 9,7%. Dentro do Não Vida, os seguros de Saúde cresceram 12,3% e os de Automóvel 9,5%.
A solvência do setor manteve-se sólida, com um rácio de 210%, muito acima do mínimo exigido. Este nível de robustez é crucial para a estabilidade do setor segurador português, especialmente num ano em que se discutiu a necessidade de uma maior atenção aos riscos climáticos e sísmicos. A tempestade Martinho, que causou 26.600 sinistros e 64,7 milhões de euros em indemnizações, sublinhou a importância da gestão de riscos e da proteção contra catástrofes.
Embora os projetos tecnológicos iniciados em 2024 estivessem programados para entrar em produção em 2025, a verdadeira transformação digital no setor segurador português só deverá ser visível em 2026. O uso de inteligência artificial e automação começou a ser mais notório, tanto a nível interno como na experiência do cliente, mas o impacto significativo ainda está por vir.
O projeto MIDAS, que visa a integração de dados na atividade seguradora, continua a ser um desafio. A gestão da informação recebida em formatos variados permanece um entrave para os operadores, que ainda não conseguiram dar o passo decisivo para a sua implementação.
Olhando para o futuro, 2026 promete trazer novos desafios. A pressão regulatória, com a introdução de normas como o IFRS 17 e DORA, aumentará, assim como a necessidade de abordar os riscos climáticos. O aumento dos custos médicos poderá impactar os seguros de saúde, enquanto a cibersegurança se tornará uma preocupação crescente para as empresas. Para enfrentar estes desafios, o mercado terá de desenvolver modelos preditivos mais eficazes e prestar atenção à ética na implementação de projetos de inteligência artificial.
Em suma, 2025 demonstrou que o setor segurador português está mais forte e preparado para as exigências do mercado, mas ainda há um longo caminho a percorrer. A dúvida que persiste é: em 2026, haverá mais inovação ou mais regulação?
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Fonte: ECO





