A Bulgária vive um momento de grande agitação política, com a renúncia do primeiro-ministro Rosen Zhelyazkov a apenas duas semanas da entrada do país na zona euro. A decisão surge após semanas de protestos massivos, onde dezenas de milhares de cidadãos exigiram a saída do governo, acusando-o de corrupção generalizada.
Na noite anterior à sua renúncia, estima-se que mais de 100 mil pessoas tenham participado nas manifestações em todo o país, com a capital, Sófia, a registar a maior concentração de manifestantes, que pode ter atingido as 150 mil. Os protestos, que começaram em resposta a uma proposta de Orçamento do Estado controversa, foram amplamente apoiados por estudantes e cidadãos de várias idades, que clamaram por mudanças significativas na liderança política.
Rosen Zhelyazkov, ao anunciar a sua saída em uma sessão extraordinária da Assembleia Nacional, afirmou que “ouvimos a voz dos cidadãos” e que era necessário atender às suas reivindicações. O primeiro-ministro reconheceu que os protestos devem orientar a formação de um novo governo, apelando a que os cidadãos exijam um perfil que mantenha as conquistas anteriores e assegure uma transição harmoniosa.
A renúncia do governo búlgaro também se dá num contexto de crescente descontentamento com a proposta de orçamento para 2026, que incluía aumentos de impostos e contribuições para a previdência social. Após a pressão popular, o governo decidiu retirar a proposta, mas a insatisfação já estava instalada.
A coligação da oposição, Continuamos a Mudança – Bulgária Democrática, tinha já apresentado uma moção de censura contra o governo, que estava agendada para votação na mesma data da renúncia. Zhelyazkov, no entanto, acreditava que o seu gabinete conseguiria sobreviver à moção, o que não se concretizou.
O presidente Rumen Radev, que se posiciona à esquerda do espectro político, comentou que as manifestações representaram um voto de desconfiança no governo e apelou aos deputados para que ouvissem o povo. O clima de incerteza política é ainda mais acentuado por uma sondagem recente que revelou que 46,8% dos búlgaros se opõem à adoção do euro, enquanto 46,5% estão a favor.
A renúncia do governo búlgaro levanta questões sobre o futuro político do país e a sua adesão à moeda única europeia, prevista para 1 de janeiro. O descontentamento popular e a instabilidade política poderão influenciar o processo de integração na zona euro.
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Fonte: Sapo





