A Europa tem potencial para competir no setor tecnológico a nível global, mas enfrenta desafios significativos que precisam ser superados. O relatório “State of European Tech 2025” revela que este setor representa atualmente 4 mil milhões de dólares, correspondendo a 15% do PIB europeu, um aumento notável em relação aos 4% registados em 2016. Estes dados sublinham a importância da tecnologia como motor da economia europeia, mas também indicam que a região ainda não conseguiu traduzir esse valor em liderança efetiva.
Um dos principais obstáculos identificados no relatório é o ambiente regulatório. Quase 70% dos fundadores de startups consideram que as normas europeias são demasiado restritivas. Isso significa que, apesar de haver talento e inovação, a criação e escalabilidade de negócios na Europa são dificultadas por barreiras que precisam ser removidas. A Europa deve encontrar um equilíbrio entre a proteção e a promoção da inovação, criando um ambiente que favoreça o crescimento das empresas tecnológicas com uma visão global.
Em 2025, a Europa foi responsável por 27% das startups criadas em todo o mundo, com mais de 27.000 fundadores a lançar novos negócios. No entanto, a fragmentação do mercado europeu e o acesso a capitais continuam a ser desafios significativos. Os Estados Unidos dominam o capital de risco, representando mais de dois terços do investimento global, o que torna a Europa dependente deste mercado para rondas de investimento mais avançadas.
Apesar destes desafios, há sinais encorajadores. O investimento em capital de risco na Europa está a crescer, com 33 mil milhões de euros investidos nos primeiros nove meses deste ano, especialmente em áreas como Deep Tech e Inteligência Artificial. O número de investidores ativos na Europa quase duplicou na última década, o que sugere que a região está a começar a direcionar recursos para tecnologias que moldarão o futuro.
Portugal segue uma trajetória semelhante, combinando talento com algumas vulnerabilidades estruturais. O investimento anual no país deverá cair de 250 milhões de dólares em 2024 para 230 milhões este ano. No entanto, esta descida não deve ser interpretada como uma retração definitiva, mas sim como um sinal de que o ecossistema ainda depende de investimento externo e precisa de consolidar mecanismos de crescimento. Apesar da ambição e da capacidade técnica, Portugal ainda enfrenta fragilidades entre o início dos processos de investimento e a sua escalabilidade internacional.
O ecossistema europeu, incluindo o português, está num momento crucial. Se conseguirmos transformar os avanços em mais empreendedores, maior capital e foco em tecnologias estruturantes em políticas que reduzam barreiras e acelerem a inovação, 2026 poderá ser um ano decisivo. A Europa só poderá liderar a inovação tecnológica se tomar decisões ousadas para integrar o mercado, melhorar a regulação e fortalecer o apoio ao crescimento.
Fechando com uma nota positiva, é notável a densidade de talento e a ambição que se observa nas startups europeias. Com o apoio certo, estas empresas têm o potencial de competir a nível global.
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Fonte: ECO





