A indústria de defesa ucraniana está a preparar-se para alargar a sua cooperação com países europeus, especialmente com Portugal. O diretor-geral do Conselho da Indústria de Defesa Ucraniana (UCDI), Ihor Fedirko, anunciou a assinatura de um memorando em Lisboa que marca o início de uma nova fase de colaboração estratégica. Este entendimento visa fortalecer a ligação entre empresas ucranianas e portuguesas, promovendo a partilha de informações e o desenvolvimento de iniciativas conjuntas, com um foco especial na inovação.
Fedirko destacou a importância de aproveitar o conhecimento acumulado pela Ucrânia durante o conflito com a Rússia. “Se pudermos ajudar os nossos parceiros através destes conhecimentos, temos de o fazer”, afirmou, referindo-se aos ataques híbridos que a Rússia tem realizado contra a União Europeia. A Ucrânia possui um “campo de ensaio” valioso, que pode ser utilizado para beneficiar os aliados europeus.
O memorando assinado em Lisboa é um passo importante para a indústria de defesa, que já conta com 800 empresas privadas e cerca de 200 mil trabalhadores, apesar do ambiente de guerra. O responsável da UCDI sublinhou que a capacidade de produção da Ucrânia deverá atingir os 35 mil milhões de dólares em 2025, com uma previsão de crescimento para 50 mil milhões de dólares em 2026. Contudo, a Ucrânia enfrenta o desafio de absorver apenas 40% dessa produção, necessitando de financiamento e de oportunidades de exportação.
“Estamos a procurar este financiamento em toda a Europa e no mundo”, disse Fedirko, que também mencionou o potencial da indústria de drones ucraniana. Atualmente, cerca de 270 empresas estão dedicadas à produção de drones, com uma capacidade de 7,5 milhões de unidades por ano. Com um financiamento adequado, essa produção poderia aumentar para dez milhões.
A cooperação com Portugal é vista como uma oportunidade para desenvolver uma joint-venture de coprodução militar, combinando a experiência ucraniana com a tecnologia portuguesa. Fedirko elogiou as capacidades de Portugal nas áreas aeroespacial e de investigação, destacando que “podemos partilhar a experiência e os conhecimentos entre as nossas indústrias de defesa”.
Além disso, a Ucrânia está a abrir escritórios de exportação em várias cidades europeias, incluindo Berlim e Copenhaga, e pretende replicar as suas principais instalações em solo português. O objetivo é integrar-se no ecossistema de defesa da NATO e da União Europeia, contribuindo para a segurança coletiva.
A indústria de defesa ucraniana, apesar dos desafios, continua a crescer e a inovar, e a colaboração com Portugal poderá trazer benefícios mútuos significativos. “Temos de criar estas pontes entre a nossa indústria de defesa e a vossa”, concluiu Fedirko.
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Fonte: ECO





