Risco cambial: o que deve saber ao investir nos mercados

Investir nos mercados financeiros envolve diversos riscos que precisam ser cuidadosamente avaliados antes de decidir onde aplicar o capital. Embora todos os riscos mereçam atenção, o risco cambial é frequentemente subestimado pelos investidores. Neste artigo, vamos explorar a importância do risco cambial e como ele pode impactar os resultados dos seus investimentos.

O risco cambial refere-se à possibilidade de variações desfavoráveis na moeda em que um ativo está cotado. Este risco é particularmente relevante para investidores europeus que aplicam em ativos denominados em moedas estrangeiras. A valorização do euro em relação a outras divisas pode reduzir significativamente o retorno dos investimentos.

Em 2025, o euro valorizou-se 13% face ao dólar e registou ganhos de dois dígitos em relação ao iene japonês. Mesmo em relação à libra esterlina e ao yuan chinês, a valorização foi de 6% e 9%, respetivamente. Estas flutuações são notáveis e destacam a necessidade de considerar o risco cambial ao investir em ativos fora da Zona Euro.

Os investidores que compraram obrigações norte-americanas no início do ano, por exemplo, podem enfrentar perdas se decidirem vender agora, mesmo que os títulos ofereçam uma rentabilidade atrativa de cerca de 4%. No caso das ações, a situação é semelhante. Para que um investidor compense o efeito negativo da desvalorização das moedas, é necessário que as ações valorizem significativamente.

Uma simulação de uma carteira de investimento em ações internacionais revela como o risco cambial pode influenciar o retorno. Um investidor que aplicou 1.200 euros em quatro empresas cotadas nos Estados Unidos, Japão, Reino Unido e China no início de 2025 viu um retorno médio de 23%. Contudo, ao considerar o efeito cambial, o ganho real foi reduzido para 14%, uma diferença de quase 10 pontos percentuais.

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Este impacto não se limita apenas a ações. Investidores que subscreveram fundos de investimento em ações norte-americanas ou compraram obrigações japonesas também estão a ser afetados pelo risco cambial. Apesar de o risco cambial ser frequentemente ignorado, ele pode ter um efeito decisivo nos resultados finais.

Por outro lado, para investidores que apostaram em ações europeias, o cenário é mais favorável. A valorização das cotações, aliada à força do euro, proporcionou retornos substanciais. O Santander, por exemplo, valorizou 117% em 2025, com um retorno ainda maior quando medido em dólares.

É importante que os investidores tenham consciência de que a variação cambial pode influenciar o resultado final dos seus investimentos. Avaliar as perspetivas para a evolução da moeda em que os ativos estão cotados é essencial. O risco cambial pode ser uma desvantagem, mas também pode representar uma oportunidade para aqueles que conseguem prever as flutuações monetárias.

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Fonte: Doutor Finanças

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