A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, manifestou esta quarta-feira a sua hesitação em apoiar o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Esta posição torna improvável que a assinatura do acordo ocorra no próximo sábado, como estava previsto. Meloni sublinhou que o governo italiano sempre defendeu que o acordo deve trazer benefícios para todos os setores, especialmente para os agricultores.
Durante uma intervenção no parlamento italiano, Meloni afirmou que seria “prematuro” assinar o acordo antes de um conjunto adicional de medidas, a ser acordado com a Comissão Europeia, que visa proteger os agricultores. A primeira-ministra enfatizou a necessidade de garantir que o acordo inclua garantias adequadas de reciprocidade para o setor agrícola. “Precisamos esperar até que essas medidas sejam finalizadas e, ao mesmo tempo, explicá-las e discuti-las com nossos agricultores”, declarou.
Na terça-feira, o Parlamento Europeu aprovou um reforço das proteções aos produtores, uma resposta às preocupações expressas por França e Itália. No entanto, o partido de Meloni considera que essas medidas ainda não são suficientes para assegurar uma competição justa para os agricultores. “Isso não significa que a Itália pretenda bloquear ou opor-se ao acordo como um todo. Estou confiante de que, no início do próximo ano, todas estas condições poderão ser verificadas”, acrescentou.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, planeava viajar para o Brasil no final desta semana para assinar o acordo, que foi alcançado após 25 anos de negociações. A diplomacia europeia está a trabalhar contra o tempo para alcançar um consenso antes do Conselho Europeu agendado para quinta-feira. Para que o acordo avance, é necessária uma maioria qualificada, ou seja, o apoio de pelo menos 15 dos 27 países que representem, no mínimo, 65% da população total da União Europeia.
França já havia solicitado o adiamento da assinatura para o próximo ano, um cenário que a Comissão Europeia pretende evitar, pois diplomatas consideram que isso poderia significar a “morte” do acordo. A Reuters noticiou que a Itália se juntará a França na solicitação de adiamento, em meio a contestações de outros países, como a Polónia.
Durante a semana, a diplomacia europeia tem feito esforços para convencer a Itália, uma vez que a ausência do seu apoio inviabiliza a assinatura do acordo. Países como Polónia, Áustria e Hungria também se mostraram contra, enquanto a posição final da Irlanda e dos Países Baixos ainda não é clara. No entanto, é certo que países como Alemanha, Portugal, Espanha, República Checa, Países Baixos, Suécia e Croácia darão o seu voto favorável.
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Fonte: ECO





