Emigração portuguesa cai 7,1% e revela falta de qualificação

Em 2024, a emigração portuguesa registou uma queda de 7,1%, com cerca de 65 mil pessoas a deixarem o país, menos cinco mil do que no ano anterior. Este fenómeno não é apenas uma flutuação sazonal, mas sim uma mudança estrutural que se intensificou com o Brexit, que teve um impacto significativo na emigração para o Reino Unido. De acordo com o Observatório da Emigração, a saída de portugueses para o Reino Unido diminuiu 37% entre 2023 e 2024, passando de mais de 32 mil emigrantes em 2015 para menos de três mil em 2024.

Os dados revelam uma estabilização da emigração portuguesa, que deverá manter-se entre 60 mil e 65 mil nos próximos anos. Inês Vidigal, coordenadora executiva do Observatório da Emigração, sublinha que a diminuição da emigração para o Reino Unido é um fator crucial para esta tendência. Embora outros destinos também tenham visto uma ligeira redução, estas variações não têm um impacto significativo.

A análise histórica mostra que, em 2013, durante a crise da dívida soberana, mais de 120 mil pessoas emigraram. Portanto, os números atuais não indicam uma crise, mas sim um reequilíbrio da emigração portuguesa. Em 2024, a Suíça tornou-se o principal destino dos emigrantes portugueses, com 12.388 entradas, seguida de Espanha e França.

Inês Vidigal destaca que, nesta nova fase, Espanha e Suíça têm alternado como destinos principais. A Alemanha e o Benelux também se destacam, com a Bélgica a registar 5.471 entradas e os Países Baixos 4.795. Contudo, a estrutura da emigração portuguesa revela uma realidade preocupante: a maioria dos emigrantes continua a ser pouco qualificada.

Mais de 50% dos emigrantes não possui mais do que o ensino secundário. Em França, por exemplo, cerca de 64% da população portuguesa tem apenas o ensino básico. Apesar de existirem exceções, como na Bélgica e nos Países Baixos, onde a emigração é composta maioritariamente por profissionais qualificados, a tendência geral é de uma migração com baixas qualificações.

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Rui Pires, sociólogo das migrações, alerta para o desperdício de competências, uma vez que muitos imigrantes qualificados em Portugal não conseguem o reconhecimento das suas habilitações e acabam por desempenhar funções pouco qualificadas. Este cenário é agravado pela dificuldade crescente em atrair imigrantes qualificados, enquanto os portugueses continuam a emigrar em números significativos.

O panorama de 2024 revela uma emigração em transformação, com a necessidade de Portugal enfrentar o desafio de garantir que a saída de mão-de-obra pouco qualificada não comprometa o desenvolvimento do país. Além disso, é fundamental que as competências dos imigrantes que chegam sejam reconhecidas e aproveitadas de forma eficaz.

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Fonte: ECO

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