Nos últimos anos, a incerteza, a volatilidade e o risco têm sido palavras recorrentes para descrever a situação global. Desde 2019, o mundo tem enfrentado desafios sem precedentes, especialmente com a pandemia que alterou a dinâmica económica. Este novo normal, que se espera que persista em 2024, é amplamente influenciado pela tensão geopolítica. Em 2025, foram contabilizados 59 conflitos ativos entre estados, o número mais elevado desde a II Guerra Mundial, resultando em cerca de 240 mil mortes, segundo estimativas do ACLED.
A fricção entre blocos comerciais tem-se intensificado, com as taxas aduaneiras impostas pelos Estados Unidos a serem um exemplo claro. As decisões voláteis da administração de Donald Trump continuam a ter repercussões globais, enquanto a Europa se fecha em algumas áreas, como o setor do aço, e a China reage, criando um efeito dominó nas cadeias de abastecimento. Apesar da instabilidade geopolítica, a economia global parece resistir, embora de forma desigual. A União Europeia apresenta um crescimento anémico, enquanto os Estados Unidos surpreendem ao evitar a recessão, e a Ásia, apesar das dificuldades da China, mostra sinais de resiliência.
Em contrapartida, Portugal destaca-se como um verdadeiro oásis económico. O país tem registado um crescimento superior à média da União Europeia, da comunidade e da zona euro. Este crescimento, estimado em quase 2% para 2025, é um terço superior ao da Europa e deverá manter-se semelhante em 2026 e 2027. Portugal, apesar de estar exposto a um ambiente internacional volátil, tem demonstrado uma notável resistência às tempestades globais, que agora têm nomes como Trump, Putin e Hamas, além de questões internas relacionadas com um parlamento fragmentado e o populismo.
O sucesso da economia portuguesa é também impulsionado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que, embora beneficie o país, também traz vantagens para outros. As empresas portuguesas tornaram-se mais competitivas, e o país aproxima-se do pleno emprego, sem que isso tenha gerado um impacto inflacionista significativo. Assim, Portugal pode ser visto como um oásis económico em tempos de incerteza.
No entanto, nem tudo é perfeito. O país enfrenta desafios relacionados com a imigração, que não foram devidamente ponderados. A gestão dos serviços de saúde e a entrada de imigrantes continuam a ser temas controversos, com muitos debates e pouca ação concreta. Apesar destas dificuldades, Portugal mantém-se firme como um oásis económico, representando um bom ponto de partida para o novo ano.
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Fonte: Sapo





