A imigração em Portugal enfrenta um “vazio estatístico” que dificulta ao Estado saber quantos imigrantes residem no país e onde se encontram. Esta situação foi revelada pelo jornal “Expresso”, que destaca a suspensão das publicações do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre imigração e população estrangeira para 2024, sem previsão de quando esses dados poderão ser divulgados.
A decisão do INE está relacionada com os “fluxos de dados” que estão a ser processados entre o instituto e a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA). Estes dados, segundo a autoridade estatística, ainda precisam de tratamento e validação antes de serem tornados públicos. A falta de informação sobre a imigração em Portugal levanta preocupações sobre a capacidade do Estado em gerir e integrar a população imigrante.
Atualmente, o número de cidadãos estrangeiros a residir em Portugal ultrapassa 1,5 milhões. Um estudo da Pordata revela que 76,5% desses imigrantes estão empregados, enquanto 11,5% se encontram à procura de trabalho. No entanto, a realidade é preocupante, uma vez que mais de um em cada quatro estrangeiros vive em situação de pobreza ou exclusão social.
A ausência de dados concretos sobre a imigração em Portugal não só dificulta a formulação de políticas públicas eficazes, como também afeta a perceção da sociedade sobre a contribuição dos imigrantes para a economia nacional. Sem informações claras, torna-se difícil avaliar o impacto da imigração em áreas como o mercado de trabalho e a coesão social.
É essencial que o Estado recupere a capacidade de monitorizar e analisar os fluxos migratórios, uma vez que a imigração é um fenómeno em constante evolução. A falta de dados não deve ser um obstáculo à formulação de estratégias que promovam a inclusão e a integração dos imigrantes na sociedade portuguesa.
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Fonte: Sapo





