O Conselho de Redação da RTP manifestou a sua preocupação em relação às declarações do ministro da Educação, Fernando Alexandre, que, numa entrevista ao ECO, fez afirmações que, segundo os jornalistas, colocam em causa a credibilidade e a ética da redação da emissora pública. No comunicado emitido, o órgão que representa os profissionais da RTP considera que as referências a alegadas “agendas camufladas” e à “incompetência” não são apenas críticas, mas sim acusações que afetam diretamente a reputação dos jornalistas e da própria RTP.
Os jornalistas exigem que a direção de informação, liderada por Vítor Gonçalves, tome uma posição pública clara. Pedem que a RTP repudie as insinuações do ministro e reafirme a sua independência editorial, bem como o compromisso com a ética e o rigor na informação. Além disso, solicitam que a direção esclareça os critérios editoriais que sustentaram a peça em questão, garantindo assim a transparência necessária perante a opinião pública.
O conselho de administração da RTP também é chamado a intervir. Os jornalistas sublinham que é fundamental defender o bom nome da RTP e dos seus profissionais, para que as acusações não minem a confiança no jornalismo praticado. “Não podemos permitir que estas suspeições passem sem resposta”, afirmam, destacando que a questão envolve toda a redação e a missão do serviço público.
O comunicado recorda que o Telejornal é a referência mais antiga de informação televisiva em Portugal, com 66 anos de história, e que a RTP, com 68 anos, tem uma responsabilidade acrescida na defesa da sua reputação. Os jornalistas insistem que a RTP deve explicar a notícia sobre as residências universitárias, que foi alvo de críticas por parte do ministro da Educação.
Fernando Alexandre, na sua apresentação sobre o novo modelo de ação social, foi acusado de estigmatizar os alunos de famílias com menos rendimentos que beneficiam de acesso às residências universitárias. O ministro desmentiu essa interpretação e exigiu uma justificação da direção de informação da RTP sobre a cobertura do tema. “Acho inacreditável que a direção da RTP não explique isto”, afirmou o ministro, defendendo o modelo que apresentou como uma forma de melhorar a igualdade de oportunidades.
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Fonte: ECO





