Crescimento da economia dos EUA levanta dúvidas sobre cortes de juros

A economia norte-americana surpreendeu ao crescer 4,3% no terceiro trimestre de 2023, o valor mais elevado em dois anos. Este desempenho, que superou as expectativas, foi impulsionado por um consumo privado robusto e uma recuperação nas exportações. No entanto, este crescimento da economia dos EUA está a gerar preocupações entre os investidores, que temem que a Reserva Federal possa adiar os cortes nas taxas de juro.

O Departamento de Análise Económica dos EUA revelou que este crescimento de 4,3% é significativamente superior ao 3,8% do trimestre anterior e ao 3,3% das previsões feitas por economistas. Comparado com o mesmo período do ano anterior, o crescimento homólogo foi de 2,3%, o melhor resultado deste ano.

O consumo privado, que é um dos pilares da economia, cresceu 3,5% no terceiro trimestre, uma subida em relação aos 2,5% do trimestre anterior. Contudo, é importante notar que uma parte deste aumento se deve à antecipação de compras de veículos elétricos, cujos incentivos fiscais terminaram no final de setembro. Desde então, as vendas destes automóveis têm registado uma queda significativa.

Outro indicador relevante para a Reserva Federal, as vendas finais reais a compradores domésticos, aumentaram 3% no trimestre, embora a variação em relação ao trimestre anterior tenha sido apenas de 0,1 pontos percentuais. Dada esta situação, os analistas preveem uma desaceleração do consumo no quarto trimestre.

Apesar do crescimento da economia dos EUA, os mercados não reagiram como esperado. Em vez de celebrar o aumento, os investidores estão preocupados que esta força possa atrasar ou tornar menos prováveis os cortes nas taxas de juro, o que gera descontentamento. Além disso, os dados foram divulgados com um atraso de 45 dias devido a um shutdown que afetou a divulgação de informações económicas cruciais.

Leia também  Vasco Pedro lança Spinnable para impulsionar pequenas empresas

A situação do consumo revela também desigualdades. O banco ING descreve um cenário em “K”, onde as famílias mais ricas continuam a gastar, enquanto as de rendimentos mais baixos enfrentam dificuldades devido à insegurança laboral e ao aumento dos preços. Este padrão é igualmente visível no setor empresarial, onde as grandes empresas conseguem lidar melhor com os desafios económicos, ao contrário das pequenas e médias empresas que lutam contra o aumento dos custos.

Outro aspecto a considerar é o impacto das exportações líquidas. No terceiro trimestre, as vendas ao exterior aumentaram 8,7%, enquanto as importações caíram 4,7%, contribuindo assim com 1,6 pontos percentuais para o crescimento de 4,3%. Contudo, o investimento desacelerou, apresentando uma contribuição negativa, embora marginal, para o crescimento total.

Os analistas da Pantheon Macro destacam que o crescimento do investimento privado está quase exclusivamente ligado aos gastos em inteligência artificial (IA), enquanto outros setores permanecem estagnados. O Deutsche Bank já alertou que o investimento em tecnologia é fundamental para o PIB dos EUA, sugerindo que, sem esses gastos, a economia poderia estar à beira de uma recessão.

Leia também: O impacto da inteligência artificial na economia global.

crescimento da economia dos EUA crescimento da economia dos EUA crescimento da economia dos EUA Nota: análise relacionada com crescimento da economia dos EUA.

Leia também: Governo avalia revisão das regras de terminais rodoviários

Fonte: Sapo

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top