O ano de 2026 promete ser um desafio para os investidores, segundo o mais recente relatório da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). No “Risk Outlook” publicado recentemente, o regulador do mercado de capitais alerta para a manutenção de níveis elevados de risco, com uma tendência de agravamento, especialmente em relação a possíveis correções de preços e à crescente ameaça de ciberataques.
A CMVM, liderada por Luís Laginha, alinha-se com as preocupações de instituições internacionais como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu. Estas entidades também alertam para a possibilidade de ajustamentos significativos nos preços dos ativos financeiros, que atualmente parecem estar acima dos fundamentos económicos. Assim, os riscos de investimento são considerados elevados, com uma perspetiva de subida.
O relatório destaca que os riscos de mercado e operacionais continuam a ser os principais fatores de instabilidade financeira. Para quem investe em ações ou obrigações, a CMVM identifica a oscilação dos preços como uma das principais preocupações. O risco de uma correção significativa nos mercados financeiros é classificado como elevado, com uma tendência de aumento, o que pode levar a perdas inesperadas para os investidores.
Além das flutuações de preços, a cibersegurança surge como uma preocupação crescente. O regulador refere que os riscos operacionais, que incluem falhas nos sistemas e ataques informáticos, estão a aumentar em complexidade e escala. A digitalização dos serviços financeiros trouxe conveniência, mas também expôs as instituições a novos perigos. A CMVM sublinha que a crescente dependência das infraestruturas digitais torna todos vulneráveis a ataques cibernéticos, exigindo investimentos significativos para proteger os sistemas.
Embora o cenário para 2026 seja preocupante, a CMVM também aponta que os riscos de liquidez e crédito estão sob controlo. O risco de liquidez é considerado médio e estável, o que significa que os investidores não devem enfrentar grandes dificuldades em converter ativos em dinheiro. Da mesma forma, o risco de crédito, que se refere à capacidade de empresas e Estados de honrar as suas dívidas, também é classificado como médio, sem sinais de alarme imediato.
A CMVM destaca que a estabilidade na dívida pública portuguesa é um fator positivo, com um indicador de risco sistémico que se encontra próximo de mínimos históricos. Apesar das incertezas que 2025 trouxe, o regulador acredita que as empresas e o Estado estão a conseguir gerir a sua dívida de forma eficaz.
Em suma, 2026 apresenta-se como um ano de vigilância e gestão cuidadosa para os investidores. A combinação de riscos de mercado e operacionais, especialmente em relação à cibersegurança, exige uma abordagem cautelosa. Os investidores devem estar preparados para navegar num ambiente incerto, onde a rendibilidade pode vir acompanhada de riscos elevados.
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Fonte: ECO





