A Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL) anunciou, a 15 de outubro de 2025, o avanço de um Plano Estratégico para as Indústrias da Defesa. Este plano é desenvolvido em colaboração com a NERLEI/CCI e tem como objetivo integrar a tecnologia de uso dual — civil e militar. A defesa, que anteriormente era vista como um tema distante, tornou-se uma prioridade na política industrial europeia, com instrumentos como o EDF, o EUDIS e a NATO DIANA a ganharem destaque. A revisão da Base Tecnológica e Industrial de Defesa (BTID) trouxe este assunto para o centro da economia real.
Leiria já possui uma base sólida para esta transição. O distrito destaca-se por uma economia industrial e exportadora, com especializações em setores como plásticos, moldes, vidro e cerâmica. Em 2023, as exportações de bens ultrapassaram os três mil milhões de euros, com estes quatro setores a representarem cerca de 1,1 mil milhões. A inclusão da defesa não implica uma mudança radical, mas sim uma extensão das competências já existentes, como engenharia, produção e qualidade.
Um exemplo do crescimento da indústria da defesa em Leiria é a Tekever, que em 2025 reforçou a sua presença na região com um novo hub. Este espaço conta com equipas de engenharia dedicadas ao desenvolvimento de componentes críticos e à realização de testes. A escolha de Leiria deve-se à proximidade com o ecossistema industrial e instituições académicas, como o Politécnico de Leiria. A instalação de empresas deste perfil não só gera empregos, mas também impulsiona fornecedores e cria uma procura por soluções complementares.
Neste contexto, surge o Defense Accelerator, promovido pela Startup Leiria. Este programa, que arranca a 24 de novembro e decorre até 14 de janeiro, é gratuito e híbrido, destinado a preparar startups e PME para um setor altamente regulado. O foco é garantir que os participantes compreendam a importância de licenças, certificações e compliance, fundamentais para o sucesso na indústria da defesa. O percurso culmina num pitch day presencial, onde as startups poderão apresentar as suas ideias.
A Startup Leiria atua como um elo entre a indústria estabelecida e a tecnologia emergente, facilitando a comunicação entre as startups e o setor da defesa. Com cerca de 180 empresas incubadas, a Startup Leiria já reconhece um núcleo de projetos alinhados com a indústria da defesa. O Politécnico de Leiria, por sua vez, destaca-se como uma das instituições de ensino superior mais empreendedoras, com 159 startups fundadas por antigos alunos.
A região tem demonstrado um dinamismo crescente, com investimentos significativos em startups locais. A Portugal Ventures, por exemplo, investiu 5,5 milhões de euros em quatro startups da região, enquanto a Brainr, uma startup de Leiria, conseguiu fechar uma ronda seed de até 11 milhões de euros em 2025. No índice 2025 da StartupBlink, Leiria registou a maior subida entre as cidades nacionais, consolidando-se como o terceiro hub nacional.
A região de Leiria está a transformar esta oportunidade em política industrial, com programas regulares e uma verdadeira procura por integração nas cadeias de valor. O próximo desafio será demonstrar que é possível competir nas exigências do setor da defesa, através de maior valor acrescentado, transferência de conhecimento e soberania tecnológica.
Leia também: O impacto da inovação tecnológica na economia portuguesa.
indústria da defesa indústria da defesa Nota: análise relacionada com indústria da defesa.
Leia também: Idade da reforma sobe para 66 anos e 11 meses em 2027
Fonte: ECO





