O antigo primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva assinalou que, 40 anos após a adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (CEE), o país se encontra numa posição mais forte, mas alertou que a captação de fundos comunitários não deve ser a prioridade atual. Em um comunicado enviado à Lusa, Cavaco Silva enfatizou que, neste momento, Portugal deve focar em fortalecer a União Europeia e a zona Euro.
Cavaco Silva defendeu que, em vez de concentrar esforços na obtenção de fundos comunitários, Portugal deve liderar a defesa de uma nova ambição para a União Europeia. Isso inclui aprofundar o mercado interno, criar uma união dos mercados de capitais, promover a união europeia da energia e concluir a união bancária. Além disso, destacou a importância de aumentar o investimento em investigação e inovação.
O ex-Presidente da República alertou que a União Europeia enfrenta ameaças externas significativas, como a agressão russa à Ucrânia, que exigem uma resposta unificada. Para ele, a defesa da Europa deve ser uma prioridade, com a criação de uma política comum de Defesa que una a União Europeia, o Reino Unido e outros parceiros, reforçando assim a Aliança Atlântica.
Cavaco Silva também criticou a postura do governo norte-americano sob a liderança de Donald Trump, que, segundo ele, tenta forçar a União Europeia a alterar políticas que considera desfavoráveis aos interesses dos Estados Unidos. O ex-primeiro-ministro sublinhou que os Estados-membros da União Europeia não conseguirão afirmar-se individualmente na cena internacional.
O ex-governante referiu-se ainda às suas próprias convicções, alinhando-se com o economista Paul Krugman, Nobel de Economia, ao afirmar que a União Europeia não deve se submeter às exigências do Presidente Trump. Para Cavaco Silva, a União Europeia é uma grande potência que não deve se curvar às pressões externas.
Ao fazer um balanço dos 40 anos de integração europeia, Cavaco Silva considerou que os resultados são claramente positivos. Ele destacou que Portugal é um país melhor do que seria sem a adesão à CEE, beneficiando de incentivos que permitiram reformas estruturais, melhorias nas infraestruturas e um reforço da igualdade de oportunidades.
No entanto, o antigo primeiro-ministro reconheceu que houve erros ao longo do caminho e que o impulso das reformas da primeira década não foi mantido. Ele alertou que muitos olharam para a integração europeia e os fundos comunitários como uma “solução milagrosa”, descurando a necessidade de reformas internas.
Cavaco Silva recordou que, ao falar aos portugueses há 40 anos, mencionou o início de um novo ciclo na história do país, que traria benefícios a longo prazo. Ele concluiu afirmando que, com o tempo, todos reconheceriam que a adesão às Comunidades Europeias valeu a pena.
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Fonte: Sapo





