O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, abordou a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, afirmando que esta não se deu de acordo com as normas do direito internacional. Contudo, Rangel sublinhou que o regime de Nicolás Maduro também carece de legitimidade. A posição do governo português é clara: a prioridade é o restabelecimento da democracia no país sul-americano.
Rangel destacou que o primeiro-ministro, o Presidente da República e o Ministério dos Negócios Estrangeiros estão a monitorizar a situação na Venezuela de forma conjunta. A comunidade portuguesa na Venezuela enfrenta desafios significativos, e a resposta do governo português tem sido serena, mas atenta às necessidades da população.
O corpo diplomático português está em constante comunicação para identificar as carências da comunidade luso-venezuelana. Rangel assegurou que não há registos de problemas com os membros desta comunidade, mas recomendou cautela devido à incerteza que se vive em Caracas. O ministro também mencionou a preocupação com os cinco presos políticos que são luso-venezuelanos.
Em colaboração com o governo português e mantendo um diálogo próximo com Itália e Espanha, Rangel expressou a esperança de que se avance rapidamente para a restauração da democracia na Venezuela. O governo português pretende trabalhar em conjunto com os Estados Unidos e as autoridades de transição que possam surgir, visando uma solução democrática que traga estabilidade ao país.
A situação na Venezuela é tensa, e Rangel enfatizou que a prioridade é garantir a formação de um governo democrático. O ministro recordou que Portugal nunca reconheceu o governo de Maduro, especialmente no seu último mandato, e questionou se o regresso de Maduro tornaria o seu governo legítimo, respondendo negativamente a essa questão.
Rangel também comentou sobre Edmundo González, que participou nas eleições presidenciais de verão de 2024. Apesar de ter perdido segundo a Comissão Eleitoral, muitos acreditam que ele foi o verdadeiro vencedor. Para Rangel, González poderia ser uma solução aceitável, mas a situação atual é incerta. O ministro não descartou a possibilidade de novas eleições, considerando que a solução mais rápida para restaurar a legitimidade democrática seria colocar na presidência o legítimo vencedor das eleições.
A influência de Portugal e de outros países europeus com comunidades significativas na Venezuela é crucial neste contexto. Rangel sublinhou que a pacificação do país exigirá contactos entre o regime e a oposição. Assim, a presença dos Estados Unidos na Venezuela é vista como uma estratégia válida. O ministro concluiu afirmando que Portugal está disponível para colaborar na construção de uma solução política e democrática.
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Fonte: Sapo





