Protesto em Lisboa contra agressão dos EUA à Venezuela

Na passada segunda-feira, cerca de 1.500 pessoas reuniram-se em Lisboa, junto à estátua de Simón Bolívar, para protestar contra a agressão dos EUA à Venezuela. A manifestação, organizada pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), foi uma resposta ao ataque militar norte-americano ocorrido no sábado, que visou capturar o presidente venezuelano Nicolás Maduro e a sua mulher, Cilia Flores.

Os manifestantes expressaram a sua indignação com palavras de ordem como “Pela paz! Não à agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela” e “América Latina não é o quintal dos Estados Unidos”. A figura do presidente norte-americano, Donald Trump, foi alvo de críticas, com a frase “Donald Trump, sua besta assassina, tira as tuas mãos da América Latina” a ecoar entre os presentes.

Isabel Camarinha, presidente do CPPC e antiga líder da CGTP, sublinhou que a agressão dos EUA à Venezuela é “totalmente ilegal à luz do direito internacional”. Camarinha afirmou que “não cabe aos Estados Unidos determinar as opções políticas e económicas de nenhum Estado”, destacando a necessidade de uma clara condenação da parte do Governo português. A líder do CPPC criticou a fraca reação do executivo e alertou que os EUA pretendem apoderar-se dos vastos recursos naturais da Venezuela, que possui as maiores reservas petrolíferas do mundo.

A manifestação, que decorreu pacificamente na Avenida da Liberdade, contou com a presença de uma significativa comunidade sul-americana, incluindo muitos brasileiros, e de representantes de partidos como o PCP e o Bloco de Esquerda. O evento começou às 18:00 e terminou cerca de uma hora depois, com a desmobilização dos participantes.

O ataque dos EUA gerou divisões na comunidade internacional, com alguns a condenar a ação militar e outros a saudarem a possibilidade de uma mudança de regime na Venezuela. A União Europeia defendeu que a transição política no país deve incluir líderes da oposição, enquanto António Guterres, secretário-geral da ONU, expressou preocupações sobre as “implicações preocupantes” que a ação militar pode ter para a região, alertando para a possibilidade de uma intensificação da instabilidade interna na Venezuela.

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Fonte: Sapo

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