Os portugueses estão a entrar em 2026 com um misto de esperança e cautela em relação às suas finanças. Apesar da inflação persistente e do aumento do custo de vida, quase dois terços da população afirma sentir-se confiante em relação à sua situação financeira. No entanto, a maioria antecipa a necessidade de fazer cortes e ajustes, numa tentativa de equilibrar ambição e prudência.
Um inquérito nacional realizado pela Dynata para a Revolut, que envolveu mil adultos portugueses, revela que 63% dos inquiridos se sentem positivos em relação às suas finanças no início de 2026. Desses, 18% afirmam estar genuinamente satisfeitos com a sua situação atual. O otimismo é mais visível entre os baby boomers, enquanto as gerações mais jovens demonstram uma maior cautela, refletindo as dificuldades no acesso à habitação e trajetórias profissionais mais instáveis.
A confiança, embora moderada, não é passiva. Cerca de 32% dos inquiridos planeiam gerir o seu dinheiro de forma mais ativa, seja através da poupança ou do investimento. Outros 13% estão a considerar estratégias para aumentar o rendimento, como mudar de emprego ou investir em novas competências. Contudo, 30% dos participantes têm uma visão mais pessimista, com 22% a confessar uma ansiedade constante em relação às suas finanças e 8% a sentirem que, apesar do esforço, não conseguem progredir.
Quando questionados sobre como poderiam melhorar a sua situação financeira em 2026, os portugueses apontam mais para comportamentos individuais do que para fatores externos. A autodisciplina é considerada a principal “ferramenta” financeira, com metade dos inquiridos a afirmar que controlar impulsos e manter hábitos consistentes é mais importante do que aumentar os rendimentos. A educação financeira é mencionada por 33% dos participantes, enquanto 21% acreditam que uma aplicação financeira simples poderia ajudá-los a controlar despesas e a poupar melhor.
Curiosamente, um em cada dez portugueses admite que uma proibição das redes sociais poderia ajudar a reduzir as tentações de compra. Percentagem semelhante afirma que usaria ferramentas de inteligência artificial para planear e gerir melhor o orçamento. Ignacio Zunzunegui, Head of Growth Southern Europe da Revolut, destaca que “a motivação pessoal e a autodisciplina são fundamentais, mas a tecnologia pode ser uma aliada na transformação de boas intenções em resultados concretos”.
Apesar do otimismo, a contenção é uma palavra-chave nas expectativas para 2026. Quase 60% dos portugueses esperam ter de fazer cortes nas despesas essenciais, como habitação, energia e alimentação. A roupa é a categoria mais afetada, com 30% a preverem gastar menos. As despesas não essenciais, como viagens e beleza, também estão na mira, com 26% a planearem reduções. O supermercado não escapa a esta pressão, com 21% a planearem cortar gastos com alimentação.
Mais preocupante é o facto de 7% dos inquiridos admitirem que poderão ter de cortar em despesas de saúde, um indicador sensível num contexto de envelhecimento da população. No entanto, existem áreas que muitos consideram intocáveis: 14% afirmam que as despesas com os filhos não estão em negociação, enquanto 12% não estão dispostos a abdicar de viagens ou refeições fora de casa.
No final, apenas 10% dos portugueses se sentem plenamente confiantes de que conseguirão suportar todas as suas necessidades e desejos em 2026 sem dificuldades. Um quarto acredita que será possível, mas apenas com planeamento rigoroso e esforço contínuo. Entre o otimismo e a prudência, o retrato é claro: os portugueses entram em 2026 mais conscientes e disciplinados nas suas finanças.
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finanças Nota: análise relacionada com finanças.
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Fonte: Sapo





