O setor do streaming transformou-se num verdadeiro campo de batalha, onde as plataformas competem ferozmente por um lugar de destaque no entretenimento. Com a consolidação a marcar o ano de 2025, 2026 promete ser o ano em que se definirá quem realmente liderará o mercado a longo prazo. A competição vai muito além do simples catálogo de conteúdos; trata-se de criar ecossistemas integrados, experiências personalizadas e um valor percebido que atraia os consumidores.
Plataformas como Netflix, Spotify, Disney+, Max e Amazon Prime Video não só moldam o que consumimos, mas também influenciam a forma como interagimos com marcas, cultura e tecnologia. Para os profissionais de marketing, comunicação e publicidade, este novo cenário exige uma abordagem estratégica e criativa, onde a produção de conteúdo é tão importante quanto a presença no mercado.
O streaming é mais do que um canal de distribuição; é uma nova linguagem. A personalização algorítmica, a eliminação de interrupções tradicionais e a liberdade de escolha transformaram a experiência do consumidor. Isso leva a uma reavaliação dos formatos, narrativas e métricas utilizadas.
Neste contexto, a publicidade precisa de uma integração eficaz. O product placement, o branded content e as parcerias editoriais emergem como novas formas de captar a atenção do público. O desafio não é apenas ser visto, mas sim ser relevante num fluxo de consumo cada vez mais seletivo.
As plataformas de streaming operam com uma abundância de dados que permitem segmentações extremamente precisas. No setor da música, o Spotify continua a ser o líder indiscutível, com 281 milhões de subscritores pagos e 713 milhões de utilizadores ativos mensais, segundo dados do terceiro trimestre deste ano. O Spotify aposta no modelo freemium e diversifica a sua oferta com podcasts e audiolivros, mantendo-se à frente em inovação.
Entretanto, o YouTube Premium surge como um concorrente cada vez mais relevante, com mais de 125 milhões de subscritores em 2025. A sua integração com o YouTube Music e a força do seu ecossistema digital atraem milhões de utilizadores. O Apple Music mantém-se sólido com um catálogo extenso, mas sem sinais claros de crescimento, enquanto o Tidal se posiciona como uma opção de nicho para os ouvintes mais exigentes.
No que diz respeito ao vídeo, a competição é igualmente acirrada. Em Portugal, um estudo da Marktest revela que 42,2% da população já subscreve pelo menos um serviço de streaming, com mais de metade a consumir regularmente conteúdos nessas plataformas. A Netflix, com mais de 300 milhões de subscritores globais, continua a liderar, mas enfrenta uma pressão crescente. A Prime Video tira partido da sua integração com o universo Amazon, o Disney+ capitaliza as suas franquias e a HBO Max ganha cada vez mais notoriedade com produções de prestígio. A Apple TV, apesar de deter apenas cerca de 10% do mercado em Portugal em 2025, tem conseguido destacar-se com produções originais premiadas e um foco na qualidade em vez da quantidade.
A fragmentação do mercado começa a pesar sobre os consumidores, que já não desejam acumular várias subscrições. O preço torna-se um fator decisivo. O futuro imediato desta guerra dependerá menos da quantidade de conteúdo e mais da capacidade de criar experiências integradas e um valor percebido. As plataformas que conseguirem oferecer pacotes inteligentes, combinando entretenimento com serviços adicionais e fidelizando os utilizadores num ecossistema coerente, estarão em melhor posição.
Em 2026, é provável que o Spotify e a Netflix mantenham a liderança, especialmente após a recente parceria para explorar a crescente procura por podcasts. Inicialmente nos EUA, alguns podcasts que eram exclusivos do Spotify passarão a estar disponíveis nas aplicações da Netflix.
Contudo, a verdadeira ameaça pode vir de “outsiders” com propostas híbridas, como o YouTube Premium na música, a Prime Video no vídeo e a Apple TV, que se destaca pela sua qualidade. A próxima batalha será pela atenção, pelo tempo de ecrã e pela lealdade dos consumidores num mercado cada vez mais saturado. Afinal, tanto a atenção como o orçamento dos consumidores têm limites.
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Fonte: ECO





