Os incêndios florestais em Portugal revelam uma falta de visão que pode destruir rapidamente tanto o valor económico como o humano. A história das florestas portuguesas é um ciclo de espera e inação, onde se confia que a sorte irá resolver os problemas. Este ano, já ardeu 3% do território nacional, um sinal alarmante que não pode ser ignorado.
As causas dos incêndios florestais são complexas e variadas, com as alterações climáticas a dificultar o combate às chamas. É urgente que se mobilize um instrumento europeu que permita prevenir e responder a esta catástrofe, semelhante ao fundo europeu de estabilização que ajudou a mitigar crises financeiras anteriores. A boa governação, tanto no setor privado como no público, deve ser medida pela capacidade de antecipar riscos e responder a crises.
As empresas têm planos de contingência e auditorias de risco, mas Portugal ainda não conseguiu implementar uma resposta eficaz à crise cíclica dos incêndios florestais. A solução passa pelo ordenamento do território, pela prevenção estrutural e pela mobilização de recursos financeiros que permitam uma gestão florestal rentável a nível europeu. Em vez de agir preventivamente, o país continua a reagir aos incêndios, gastando dinheiro em soluções paliativas que não resolvem o problema.
Os incêndios florestais não afetam apenas o meio ambiente; têm um impacto económico significativo. Territórios devastados perdem competitividade, o turismo diminui, a agricultura recua e o valor dos imóveis desce. Investidores começam a olhar para Portugal com desconfiança, questionando a capacidade do país em proteger os seus ativos fundamentais.
A criação de um fundo de prevenção de incêndios, que não seja apenas uma solução financeira após as catástrofes, é uma medida necessária. Este fundo deve financiar tecnologias de monitorização e gestão florestal, incentivar a economia circular da biomassa e capacitar as comunidades a enfrentar os desafios que se avizinham.
Não podemos permitir que os incêndios continuem a consumir milhões de hectares na Península Ibérica, Itália e Grécia. A urgência de agir é cada vez maior, e a alternativa é clara: esperar que as árvores ardam novamente ou tomar medidas antes que o fogo recomece. Leia também: “Como as florestas podem ser geridas de forma sustentável”.
incêndios florestais Nota: análise relacionada com incêndios florestais.
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Fonte: Sapo





