O setor da comunicação em Portugal enfrenta um desafio significativo: a sua fragmentação. Um estudo recente da APECOM revela que 58% das 136 empresas analisadas faturaram entre 50 e 500 mil euros em 2024, num mercado que totaliza 128,1 milhões de euros. Contudo, apenas 13,8 milhões deste valor provém de exportações. Este cenário levanta questões sobre a competitividade das empresas de comunicação em um mercado tão atomizado.
Recentemente, a Galp anunciou negociações com a Moeve para criar um grande operador europeu na distribuição e refinação. Este movimento é um exemplo claro de como as empresas de comunicação podem beneficiar da integração em redes ou grupos multinacionais. A Impresa, por sua vez, firmou uma parceria internacional que promete garantir qualidade e independência na sua oferta. Outros exemplos notáveis incluem a Tranquilidade e a Tekever, que também têm explorado estas sinergias.
O desempenho económico das empresas de comunicação reflete esta fragmentação. Com um EBITDA médio de 15,3 milhões de euros e um resultado líquido de apenas 9,6 milhões, a pergunta que se coloca é: “Small is beautiful?” A resposta não é tão simples. A distinção clássica entre empresas familiares e conglomerados internacionais não é suficiente para explicar o que se pode alcançar neste setor. É possível combinar o melhor de ambos os mundos, criando valor para clientes, colaboradores e até para o Estado, que beneficiaria de uma maior receita fiscal.
As pequenas empresas tendem a operar de forma informal, muitas vezes em resposta a situações de desespero, o que não favorece a melhoria de práticas e serviços. Além disso, a pequena dimensão das empresas de comunicação resulta em salários baixos, mesmo para uma atividade que exige formação contínua e dedicação. Os profissionais deste setor, tal como bombeiros ou médicos, precisam estar sempre disponíveis.
A crescente presença de multinacionais no mercado português da comunicação é um sinal do potencial do país. Portugal, apesar da sua dimensão, é visto como um destino seguro para investimento e com um futuro promissor. A integração em grupos internacionais pode levar à melhoria de práticas, ao aprendizado de novas técnicas e à racionalização de esforços. Isso não só gera negócios e empregos qualificados, mas também permite o acesso a tecnologia e conhecimento que um mercado pequeno não consegue oferecer.
Recentemente, li uma tese de mestrado que analisava as vantagens e desvantagens da propriedade familiar em comparação com grandes grupos globais num setor tão complexo. Uma das conclusões destacava a possibilidade de ambos os modelos aprenderem mutuamente. Na comunicação, assim como nos hospitais, o que realmente importa são as pessoas e a proximidade. Um gestor de um fundo de investimento em Nova Iorque pode não compreender as particularidades do nosso sistema fiscal ou as nuances culturais que moldam o nosso comportamento.
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Fonte: ECO





