O Japão deu início a uma missão inovadora com o objetivo de extrair terras raras das suas águas profundas. Esta iniciativa visa reduzir a dependência económica do país em relação à China, que é o maior fornecedor mundial deste tipo de minerais. O navio de investigação Chikyu partiu do porto de Shimizu, na cidade de Shizuoka, às 09:00 (hora local), com destino à remota ilha de Minami Torishima, no Pacífico, onde se acredita que as águas circundantes sejam ricas em terras raras.
A missão, que foi adiada um dia devido a condições meteorológicas adversas, representa um passo importante para a produção nacional de terras raras, conforme afirmou Shoichi Ishii, diretor de programas do Gabinete do primeiro-ministro. “Estamos a considerar diversificar as nossas fontes de abastecimento e evitar uma dependência excessiva de determinados países”, declarou Ishii aos jornalistas antes da partida do navio.
Estima-se que a área em torno de Minami Torishima contenha mais de 16 milhões de toneladas de terras raras, o que a tornaria a terceira maior jazida do mundo, segundo o jornal económico Nikkei. Estes elementos metálicos, embora não sejam particularmente raros, são difíceis e caros de extrair, e são essenciais para diversos setores da economia, incluindo a indústria automóvel, energias renováveis, tecnologia digital e defesa. Servem para a fabricação de ímanes potentes, catalisadores e componentes eletrónicos.
Atualmente, a China controla cerca de dois terços da produção mineira global de terras raras e 92% da produção refinada, de acordo com a Agência Internacional de Energia. Este domínio tem sido utilizado por Pequim como uma ferramenta geopolítica, especialmente durante a guerra comercial com os Estados Unidos. Apesar dos esforços do Japão para diversificar as suas fontes de abastecimento desde um conflito anterior em 2010, o país ainda depende da China para 70% das suas importações de terras raras.
A relação entre Tóquio e Pequim tem-se deteriorado nos últimos meses, especialmente após declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre uma possível intervenção militar em caso de um ataque chinês a Taiwan. Em resposta, a China anunciou que iria reforçar os controlos sobre a exportação de bens de dupla utilização, que podem incluir os metais raros, aumentando assim as tensões entre os dois países.
A missão do Chikyu deverá prolongar-se até 14 de fevereiro, e os resultados desta iniciativa poderão ter um impacto significativo na estratégia do Japão para garantir a sua segurança económica e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros. Leia também: O impacto das terras raras na economia global.
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Fonte: Sapo





