O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Luís Neves, e a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, destacaram a crescente preocupação com a radicalização online durante a apresentação da nova campanha da PJ, intitulada “Ódio ‘online’ mata ‘offline’”. Este evento decorreu na conferência “Prevenção da Radicalização Online de Crianças e Jovens”, realizada em Lisboa.
Luís Neves enfatizou que a radicalização é um processo que transforma crianças e jovens, levando-os a extremos violentos. O responsável pela PJ alertou que os jovens são particularmente vulneráveis a esses conteúdos de ódio online, que não surgem de forma isolada, mas sim de uma combinação de fatores sociais, psicológicos e tecnológicos. “Os conteúdos de ódio online entre jovens são frequentemente o resultado da procura de identidade, do sentimento de pertença e da influência de algoritmos das redes sociais”, afirmou.
Além disso, Neves mencionou que o anonimato e a falta de educação digital e pensamento crítico contribuem para a disseminação desses conteúdos. A influência de figuras públicas e as frustrações sociais e económicas também desempenham um papel significativo na radicalização online.
O diretor da PJ destacou que existem diferentes tipos de radicalização, muitas vezes baseadas em diferenças religiosas, de género, orientação sexual e políticas. Estas diferenças criam condições propícias para a violência, alimentadas pelo ódio e preconceitos. “É alarmante o aumento do ‘crime as a service’, onde estruturas criminosas disponibilizam ferramentas digitais ilícitas, incluindo o uso de inteligência artificial, para recrutar jovens”, alertou.
Na apresentação do vídeo da campanha, que inclui imagens reais de investigações da PJ, Neves defendeu que o Plano de Ação de Prevenção da Radicalização e dos Extremismos Violentos deve ser acessível ao público. “Se queremos que a sociedade civil participe neste combate, todos devem conhecer o plano”, sublinhou.
A ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, também abordou a questão da prevenção, afirmando que esta não deve ser feita apenas através de proibições e vigilância. “É fundamental ancorar a prevenção na literacia digital, no pensamento crítico e na educação para os direitos humanos. Devemos capacitar professores e técnicos para que saibam reconhecer sinais de risco e agir de forma integrada”, acrescentou.
A radicalização online é um fenómeno que requer uma abordagem abrangente e colaborativa, envolvendo não apenas as autoridades, mas toda a sociedade. Leia também: “Como a educação digital pode prevenir a radicalização”.
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Fonte: ECO





