As empresas nos Estados Unidos estão a iniciar o processo de repassar os custos das tarifas impostas pela administração Trump aos consumidores. Esta informação foi revelada no Livro Bege da Reserva Federal americana (Fed), publicado esta quarta-feira, que se baseia em questionários a diversos agentes da economia.
De acordo com o relatório, vários inquiridos afirmaram que, após inicialmente absorverem os custos das tarifas, começaram a transferi-los para os clientes. Este movimento ocorre à medida que os stocks se esgotam e as pressões para manter as margens de lucro se intensificam. Contudo, setores como o retalho e a restauração mostraram-se relutantes em aumentar os preços, uma vez que os seus clientes são sensíveis a alterações nos custos.
No geral, os preços estão a crescer a uma taxa moderada na maior parte dos distritos, com apenas dois a reportarem um ligeiro aumento. As pressões relacionadas com os custos das tarifas foram um tema recorrente em todos os distritos analisados. Além disso, os custos de energia e seguros continuam a pressionar as margens das empresas, que esperam alguma moderação no crescimento dos preços no futuro, mas prevêem que estes se mantenham elevados devido ao aumento contínuo dos custos.
Em termos de emprego, a situação permanece praticamente inalterada, com oito dos doze distritos a não reportarem mudanças significativas nas contratações. Algumas empresas têm recorrido a trabalhadores temporários para preencher vagas, em vez de criarem novos postos de trabalho. O movimento de trabalhadores entre empregos também diminuiu, refletindo uma estabilidade no mercado laboral.
O impacto da Inteligência Artificial no emprego tem sido limitado até ao momento, com previsões de efeitos mais significativos nos próximos anos. Os salários, por sua vez, têm crescido a um ritmo moderado, sem grandes alterações.
A atividade económica global apresentou um ligeiro a moderado aumento em oito dos doze distritos da Reserva Federal, enquanto três distritos não reportaram alterações e um registou um ligeiro declínio. Esta evolução representa uma melhoria em relação aos últimos ciclos de relatórios, onde a maioria dos distritos reportou poucas mudanças.
O consumo, por sua vez, aumentou ligeiramente, especialmente devido à época natalícia. Os gastos foram mais elevados entre os consumidores com rendimentos mais altos, que investiram mais em bens de luxo, viagens e experiências. Em contraste, os consumidores com rendimentos baixos a moderados mostraram-se mais cautelosos e hesitantes em gastar em bens e serviços não essenciais. O próximo Livro Bege está previsto para março.
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custos das tarifas custos das tarifas Nota: análise relacionada com custos das tarifas.
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Fonte: ECO





