As multinacionais Thales e Natixis estão a fazer um investimento significativo em formação linguística em Portugal, uma iniciativa que se revela crucial num mercado de trabalho cada vez mais globalizado. Estas empresas, que geram emprego qualificado e oferecem salários dignos, estão a contribuir para a diversificação das competências linguísticas no país.
Sérgio Barbedo, Country Director da Thales em Portugal, sublinha que, embora o inglês seja a língua oficial, o domínio do francês é um critério valorizado em várias áreas. “Existem projetos onde o domínio da língua francesa é um fator diferenciador e, em algumas funções específicas, um requisito funcional”, afirma Barbedo. Nas áreas de engenharia e desenvolvimento tecnológico, o inglês continua a ser a língua predominante.
Ambas as empresas participaram em encontros promovidos pelo Institut Français du Portugal e pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa, onde discutiram as dificuldades na contratação de profissionais francófonos. Apesar dos desafios, Barbedo e outros gestores garantem que os investimentos não estão em risco e que a formação linguística é uma das suas principais apostas.
A Thales, presente em Portugal desde 1988, tem mais de 400 colaboradores, a maioria em funções altamente qualificadas, atuando em setores como aeroespacial, defesa naval e cibersegurança. A empresa investe em programas de formação linguística através de plataformas internas, com o objetivo de promover a inclusão e facilitar a comunicação entre as equipas.
Por sua vez, a Natixis abriu um centro de competências no Porto em 2017 e já conta com mais de 3.000 colaboradores de 46 nacionalidades. Christophe Rachel, Head of Banking Support Activities da Natixis Portugal, destaca que, embora o inglês seja o idioma principal, é fundamental garantir níveis avançados de francês para determinados serviços. “Quase 100% dos colaboradores são fluentes em inglês e cerca de 25% em francês”, revela Rachel.
A Natixis tem investido continuamente em formação linguística, com cerca de 700 colaboradores a frequentar cursos, maioritariamente de francês. Nos últimos dois anos, a empresa tem contratado uma média de 400 profissionais por ano, o que exige uma estratégia de recrutamento abrangente, incluindo parcerias com universidades e academias internas.
A gestão de recursos humanos qualificados é um desafio constante, e a formação linguística surge como uma solução eficaz para responder às necessidades das equipas. “Esta combinação permite responder de forma eficaz às necessidades que temos encontrado nas equipas”, conclui Rachel.
Leia também: O impacto da formação profissional na competitividade das empresas.
Leia também: Costa garante defesa firme do território da UE após ameaças de Trump
Fonte: Sapo





