O mercado de seguros de saúde animal em Portugal está a viver um momento de expansão, com previsões de crescimento de 11% ao ano. Atualmente, apenas 15% dos animais de estimação em Portugal estão segurados, uma taxa que contrasta fortemente com países como a Suécia, onde essa percentagem chega a quase 90%. De acordo com o estudo “PetPulse Insights”, realizado por Bernardo Soares, médico veterinário e diretor de One Health da UPPartner, esta realidade deve mudar nos próximos anos.
O relatório “Portugal Pet Insurance Market Size & Outlook, 2025-2033” da Grand View Horizon Research indica que o mercado português gerou uma receita de 82,4 milhões de dólares em 2024, prevendo-se que atinja 227,9 milhões de dólares até 2033. Soares acredita que o número de animais segurados poderá duplicar até 2030, com uma penetração que poderá chegar a 25% nas melhores estimativas.
Um dos principais desafios identificados por Soares é a cultura de reatividade dos portugueses em relação à saúde dos seus animais. “O português tende a agir apenas em situações de emergência, ao invés de procurar cuidados preventivos”, explica. Para mudar esta mentalidade, o especialista sugere que se trabalhe a literacia financeira e a comunicação sobre os benefícios dos seguros. Um exemplo claro seria mostrar a diferença de custos entre um procedimento com e sem seguro.
O perfil dos subscritores de seguros de saúde animal revela que a maioria são mulheres, que assumem frequentemente a responsabilidade pelos cuidados dos animais. Além disso, os millennials urbanos, familiarizados com subscrições, começam a emergir como um segmento importante. Apesar dos prémios mensais, que variam entre 15 a 25 euros, serem considerados acessíveis, muitos ainda veem o seguro como um gasto extra.
A inflação nos serviços médico-veterinários, que tem aumentado entre 12% a 15% nos últimos anos, também contribui para a hesitação em contratar seguros. Contudo, Soares destaca que a evolução da medicina veterinária e a complexidade dos tratamentos são fatores que devem ser considerados.
As lacunas no mercado de seguros de saúde animal incluem a falta de personalização dos produtos. Soares sugere que as seguradoras desenvolvam planos mais modulares, adaptados às necessidades específicas de cada animal e à situação financeira dos tutores. Além disso, a criação de seguros que integrem a saúde humana e animal poderia ser uma inovação promissora, dado o crescente interesse dos tutores.
A pandemia de COVID-19 também teve um impacto significativo no setor, com um aumento na adoção de animais e uma maior necessidade de cuidados de saúde. O conceito de One Health, que interliga a saúde humana, animal e ambiental, ganha relevância neste contexto, sublinhando a importância de uma abordagem holística na saúde pública.
Soares é otimista quanto ao futuro do mercado de seguros de saúde animal em Portugal, prevendo que a relação emocional dos tutores com os seus animais impulsione o crescimento. Com a mudança de mentalidades e o aumento da procura por cuidados de saúde, os seguros de saúde animal podem tornar-se uma extensão natural do vínculo afetivo que os tutores têm com os seus pets.
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Fonte: ECO





