O Fundo Monetário Internacional (FMI) expressou preocupações sobre o aumento das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a União Europeia, especialmente no que diz respeito à Gronelândia. Durante uma conferência de imprensa para apresentar a atualização do World Economic Outlook, o economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, alertou que uma escalada nas retaliações tarifárias poderia ter um impacto negativo significativo no crescimento económico global.
Gourinchas sublinhou que a entrada numa fase de retaliação tarifária não só afetaria diretamente a atividade económica, mas também erodiria a confiança dos investidores. “O ambiente atual não é propício a isso”, afirmou, acrescentando que é crucial que todas as partes envolvidas busquem uma solução amigável para a situação. O economista destacou que, numa guerra comercial, “não há vencedores”, pois o aumento das tarifas prejudica não apenas o país que as impõe, mas também outras nações.
O FMI também alertou que, caso as tensões comerciais se intensifiquem, os efeitos adversos sobre a economia poderão ser sentidos através de canais diretos e pela diminuição da confiança, o que poderá levar a uma revisão dos preços de mercado. Gourinchas enfatizou que a manutenção de um sistema comercial aberto e regras estáveis é vital para que as empresas possam tomar decisões de investimento informadas.
Além das tensões comerciais, o FMI abordou a questão da independência dos bancos centrais, considerando-a “fundamental” para o crescimento económico global. O economista-chefe mencionou que a fragilidade da credibilidade dos bancos centrais, como a Reserva Federal dos EUA, pode resultar em maiores expectativas de inflação e uma menor procura por ativos americanos, o que poderá reduzir o crescimento global em 0,3% até 2026.
Gourinchas destacou que as ameaças à independência dos bancos centrais estão a aumentar e devem ser firmemente combatidas. Esta afirmação surge num contexto em que o Presidente dos EUA, Donald Trump, tem intensificado os ataques ao presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, o que levanta preocupações sobre a pressão política sobre a política monetária.
A independência dos bancos centrais é considerada uma das lições mais importantes dos últimos quarenta anos, segundo Gourinchas. Ele sublinhou que essa autonomia é necessária para que os bancos possam responder de forma eficaz às pressões económicas, seja aumentando ou diminuindo a política monetária conforme as necessidades do mercado.
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tensões comerciais tensões comerciais Nota: análise relacionada com tensões comerciais.
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Fonte: Sapo





