O movimento guineense “Firkidja di Pubis” apelou esta segunda-feira a Portugal para que sejam impostas sanções aos responsáveis pelo golpe de Estado ocorrido em novembro na Guiné-Bissau. Na sua carta aberta, o movimento exige ainda esclarecimentos sobre um voo em que foram apreendidos cinco milhões de euros.
A missiva foi enviada ao Governo e à Assembleia da República de Portugal, na véspera de uma audição do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, agendada para terça-feira. Esta audição foi solicitada pelo Partido Socialista e aprovada pela comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, onde Rangel será interrogado sobre o voo de 14 de dezembro de 2025.
Neste voo, viajaram a mulher do então Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, e o seu chefe de protocolo, e foi nesse contexto que foram encontrados os cinco milhões de euros. O Ministério dos Negócios Estrangeiros esclareceu que a classificação do voo como “voo de Estado” se deve ao facto de a passageira ser cônjuge de um chefe de Estado, o que lhe confere tratamento protocolar.
No entanto, o movimento “Firkidja di Pubis” questiona a decisão do Estado português, pedindo um esclarecimento sobre os critérios utilizados para a classificação do voo. Para o movimento, a questão não se resume apenas à quantia apreendida, mas também à atuação do Estado português, que consideram marcada por uma “opacidade grave e politicamente injustificável”.
A carta aberta sublinha que a classificação do voo como “voo de Estado” ocorreu após o golpe militar de 26 de novembro de 2025, que foi realizado à margem da Constituição e contra a vontade popular. O movimento critica ainda a concessão de estatuto protocolar a indivíduos sem cargo institucional e a normalização de relações com um regime golpista.
A audição do ministro dos Negócios Estrangeiros é vista como uma oportunidade para o Governo português esclarecer a situação, mas o movimento alerta que não deve limitar-se a questões técnicas. “O caso do voo não é um episódio isolado, expõe o risco de uma postura de complacência do Estado português face ao autoritarismo de Umaro Sissoco Embaló”, afirmam.
O movimento considera que o comunicado do Governo português, que apela à retoma da ordem constitucional na Guiné-Bissau, é insuficiente sem ações concretas. Assim, a carta visa instar o Governo e a Assembleia da República a aproveitarem este momento político para adotarem uma posição clara e coerente.
Por fim, o movimento solicita ao Governo português um apoio firme à posição do Parlamento Europeu, que, na sua sessão de 18 de dezembro de 2025, defendeu a adoção de sanções individuais contra os responsáveis pelo golpe e uma atuação ativa de Portugal junto da União Europeia para suspender acordos que legitimem o regime golpista na Guiné-Bissau.
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Fonte: Sapo





