A Comissão Europeia anunciou que a União Europeia (UE) dispõe de “todos os instrumentos sobre a mesa” para lidar com as recentes ameaças tarifárias dos Estados Unidos, mas que prefere buscar um diálogo construtivo com Washington. Esta declaração surge em resposta às tensões relacionadas com o controlo da Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca.
Valdis Dombrovskis, comissário europeu da Economia, afirmou que a UE está disposta a explorar todas as opções, mas que a prioridade é encontrar uma solução pacífica. “Buscaremos um envolvimento construtivo, mas estamos prontos para reagir com outros instrumentos, caso não consigamos encontrar uma solução construtiva com os Estados Unidos”, disse Dombrovskis após uma reunião do Eurogrupo em Bruxelas.
A situação geopolítica é complexa, e Dombrovskis condenou as “inaceitáveis ameaças à soberania e integridade territorial da Dinamarca e da Gronelândia”. Fontes da UE indicam que os países membros estão a considerar a possibilidade de impor tarifas retaliatórias que poderiam ascender a cerca de 93 mil milhões de euros, afetando produtos como whisky e manteiga de amendoim importados dos EUA. Esta medida poderá ser acionada caso Donald Trump avance com tarifas sobre oito países europeus, incluindo seis Estados-membros da UE.
O Governo português também se manifestou, defendendo uma “resposta unida e bastante forte” da UE às ameaças do Presidente norte-americano. Este tema será debatido na cimeira europeia extraordinária agendada para a próxima quinta-feira. A cimeira foi convocada pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, após Trump ter anunciado a intenção de impor tarifas de 10% em fevereiro e de 25% em junho sobre mercadorias de países que se opõem ao controlo dos EUA sobre a Gronelândia.
No passado, Trump já tinha avançado com tarifas contra vários territórios, incluindo a UE, mas essas tensões foram mitigadas por um acordo comercial que estabeleceu um limite máximo de 15% de direitos aduaneiros. Contudo, a UE já delineou um pacote de tarifas retaliatórias no valor de 93 mil milhões de euros, que permanece em espera até fevereiro. Caso as ameaças de Trump se concretizem, a UE poderá ativar essa lista.
A Gronelândia, com uma população de cerca de 57.000 habitantes, é rica em recursos minerais, muitos dos quais ainda não foram explorados, e a sua localização estratégica torna-a um alvo de interesse para os EUA. Donald Trump tem insistido que a Gronelândia deve estar sob controlo norte-americano, considerando inaceitável que o território não esteja nas mãos dos Estados Unidos.
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Fonte: ECO





