O Conselho de Ministros aprovou recentemente uma nova medida que visa facilitar o processo de conversão de veículos com motor a combustão em veículos elétricos. Esta prática, conhecida como retrofit de veículos, envolve a remoção do motor térmico, seja a gasolina ou gasóleo, e a sua substituição por um motor elétrico, acompanhado das respetivas baterias.
Embora o retrofit de veículos já fosse permitido por lei, a sua implementação era dificultada pela ausência de uma regulamentação específica. Há cerca de dois anos, o Expresso já tinha alertado para a situação, que estava estagnada. Em maio, durante a transição do Governo de António Costa para o de Luís Montenegro, o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) indicou que aguardava que o novo Executivo retomasse o assunto.
Um dos principais pontos a definir é o processo de homologação, que atualmente é bastante burocrático e dispendioso. O retrofit de veículos implica não apenas a remoção do motor a combustão, mas também a introdução do motor elétrico e das baterias, além da adaptação do sistema de controlo eletrónico. Algumas marcas automóveis já oferecem soluções para esta conversão, como a Renault, que se dedica a veículos clássicos, e a Stellantis, que abrange modelos comerciais mais recentes.
A Stellantis, que detém marcas como Fiat, Citroën, Peugeot e Opel, estabeleceu uma parceria com uma empresa francesa para facilitar o retrofit de veículos. Desde o ano passado, a fábrica de Mangualde fornece os componentes necessários para a conversão elétrica, recebendo em troca as peças relacionadas com a propulsão a gasolina ou gasóleo. A empresa já tinha experiência no Brasil, onde realizava o retrofit em automóveis usados.
Por sua vez, a Renault aproveitou a legislação francesa, que regulamentou o retrofit em 2020, para firmar uma parceria com a R-FIT. Esta colaboração permite a transformação de clássicos, como o Renault 4, em veículos elétricos. Produzido entre as décadas de 1960 e 1990 em vários países, incluindo Portugal, o custo para transformar um Renault 4 ronda os 12 mil euros. O kit utilizado oferece uma autonomia de 80 km e um tempo de carga máxima de 3 horas e meia.
Além disso, a nova legislação simplifica o processo de conversão de veículos para outras finalidades, como autocaravanas e veículos de bombeiros. Esta medida representa um passo significativo na promoção da mobilidade sustentável em Portugal, permitindo que mais veículos a combustão sejam adaptados para uma forma de transporte mais amiga do ambiente.
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Fonte: ECO





