A Comissão Europeia anunciou um conjunto de medidas que, a partir de 1 de Julho de 2026, irão restringir e encarecer a importação de aço produzido fora da União Europeia. Esta decisão, que aumenta as tarifas de importação para 50%, pode ter consequências graves para a indústria metalúrgica, um sector crucial para a economia portuguesa.
O Vice-Presidente Executivo da Comissão Europeia, Stephane Sejourné, explicou que o objetivo é proteger as siderurgias europeias, promovendo uma maior resiliência e autonomia estratégica. No entanto, esta abordagem ignora os interesses da indústria metalúrgica, que poderá continuar a enfrentar dificuldades, uma vez que os produtos acabados e semi-acabados ainda poderão ser importados sem taxas semelhantes.
A realidade é que a metalurgia e metalomecânica europeia geram um volume de negócios anual superior a 4 biliões de euros, muito acima dos 200 mil milhões da siderurgia. Em termos de emprego, a diferença é ainda mais acentuada, com a metalurgia a empregar treze milhões de pessoas, em contraste com os trezentos mil da siderurgia. Em Portugal, a situação é ainda mais alarmante, com um volume de negócios trinta e oito vezes maior e mais de duzentas vezes o número de postos de trabalho.
É compreensível que exista um sentimento de impotência em Portugal, dado o nosso tamanho no contexto europeu. No entanto, a AIMMAP, que representa a indústria metalúrgica, tem liderado uma contestação a estas medidas, mobilizando apoio de vários actores importantes a nível europeu. A associação tem conseguido sensibilizar eurodeputados e outras entidades sobre a importância estratégica da indústria metalúrgica.
Nos dias 3 a 5 de Fevereiro, uma delegação da AIMMAP, composta por representantes de empresas do sector, estará em Bruxelas para discutir estas questões com actores relevantes nas políticas europeias. É essencial que o governo português se una a esta luta, defendendo um sector que emprega 280.000 trabalhadores e gera exportações superiores a 24 mil milhões de euros.
O governo português tem a responsabilidade de apoiar a indústria metalúrgica, que é um pilar da economia nacional. Se não agir, falhará em proteger os interesses do país e dos seus cidadãos. Leia também: O impacto das políticas europeias na indústria nacional.
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Fonte: Sapo





