Russell 2000 atinge máximos históricos e metais preciosos sobem

O Russell 2000, um índice que representa as pequenas empresas nos Estados Unidos, atingiu novos máximos históricos, completando uma impressionante série de 13 sessões consecutivas de alta. Este desempenho iguala o recorde estabelecido em 2008 e resulta numa valorização de quase 10% desde o início do ano. O índice beneficia de uma rotação no mercado norte-americano, especialmente após um desempenho modesto em 2025, onde subiu apenas cerca de 10%, em comparação com o S&P 500, que avançou 18%, e o Nasdaq 100, que ganhou 20%.

Este comportamento do Russell 2000 reflete uma recuperação das small caps, num contexto de expectativa de descida das taxas de juro e de um crescimento económico que sugere um “soft landing” para a economia dos EUA. Enquanto isso, os restantes índices permanecem quase estáveis no ano, mas próximos dos seus máximos. O S&P 500 está a cerca de 1% do seu máximo histórico, enquanto o Dow Jones se encontra a menos de 0,5% desse patamar. O Nasdaq 100 e o DAX alemão estão a 2% abaixo dos seus máximos, e o Stoxx 600 a 1%.

Este cenário é ainda mais relevante face à forte tensão política e geopolítica que se vive atualmente, com um agravamento do discurso em torno das tarifas comerciais e questões estratégicas, como a Gronelândia. Estes fatores penalizaram os mercados acionistas, levando a uma queda de 2% na terça-feira, mas impulsionaram a valorização dos metais preciosos.

Com a aversão ao risco a aumentar, o ouro e a prata atingiram novos máximos históricos. O ouro aproxima-se dos 5.000 dólares por onça, cerca de 130 euros por grama, enquanto a prata se aproxima dos 100 dólares por onça, cerca de 2,75 euros por grama. No verão passado, o preço da prata era inferior a 1 euro. Esta valorização da prata pode ser explicada pela sua dupla natureza: enquanto o ouro é essencialmente um ativo monetário, a prata tem uma forte componente industrial. A transição energética, o aumento da produção de painéis solares, a eletrónica e a reindustrialização das economias ocidentais têm elevado significativamente a procura por este metal, que é simultaneamente industrial e precioso. Além disso, a correção de uma subavaliação acumulada nos últimos anos, visível no rácio ouro/prata, tem contribuído para esta tendência.

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Na mesma semana, o gás natural nos EUA (Henry Hub) registou uma extraordinária subida superior a 80%. Esta valorização deve-se a uma combinação de fatores, incluindo um frio inesperado e mais intenso do que o previsto, uma maior procura para aquecimento, níveis baixos de armazenamento e uma produção reduzida após meses de preços muito baixos. O aumento estrutural das exportações de GNL e um forte efeito técnico de “short covering” também desempenharam um papel, à medida que a subida se acentuava e as chamadas de margem para posições vendidas se multiplicavam. O mercado de gás natural é historicamente pouco líquido e extremamente volátil, onde pequenas alterações na perceção da oferta e da procura podem provocar movimentos abruptos e desproporcionados.

Leia também: A influência das taxas de juro na valorização dos ativos.

Russell 2000 Russell 2000 Russell 2000 Nota: análise relacionada com Russell 2000.

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Fonte: Sapo

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