A recente instabilidade geopolítica relacionada com a Gronelândia tem gerado tensões entre os Estados Unidos e a Europa, resultando em um aumento significativo no preço do ouro. Na última quinta-feira, os futuros do metal precioso superaram a marca dos cinco mil dólares, atingindo um novo recorde. De acordo com o Financial Times, o ouro registou a sua melhor semana desde 2008, com uma valorização de 8%. As perspetivas indicam que essa tendência de alta pode continuar, impulsionada por fatores macroeconómicos e decisões de política monetária.
Nos últimos 12 meses, o preço do ouro valorizou cerca de 80%, atingindo 5.017 dólares por onça. O banco suíço UBS destacou, na sexta-feira, o papel do ouro como uma proteção eficaz em carteiras de investimento. Com uma valorização acumulada de aproximadamente 14,5% este ano, o ouro tem demonstrado ser um contrapeso mais eficaz às flutuações do mercado de ações do que as obrigações. Além da situação na Gronelândia, a instabilidade geopolítica em regiões como o Irão, Gaza e Ucrânia, bem como incertezas políticas nos Estados Unidos, podem continuar a impulsionar o preço do ouro.
O UBS prevê que a procura por ouro por parte dos bancos centrais aumente para 950 toneladas métricas até 2026, refletindo a crescente preocupação com a independência da Reserva Federal dos EUA e a transição para moedas menos fiduciárias. O banco acredita que a fragilidade do mercado de trabalho permitirá à Fed reduzir as taxas de juro, o que tornará o ouro ainda mais atrativo num ambiente de juros baixos.
As projeções para o preço do ouro são otimistas, com estimativas a apontarem para valores superiores a sete mil dólares. A estrategista de commodities do ICBC Standard Bank, Julia Du, sugere que o preço do ouro poderá alcançar os 7.150 dólares, enquanto Nicky Shiels, da MKS PAMP, prevê que o metal precioso possa chegar aos 5.400 dólares ainda este ano. Apesar das incertezas, Shiels acredita que este movimento é parte de uma tendência de valorização a longo prazo.
A instabilidade em torno da Gronelândia, onde os Estados Unidos manifestaram interesse em adquirir a ilha, tem sido um fator determinante para o aumento do preço do ouro. O Presidente norte-americano, Donald Trump, já expressou a sua intenção de comprar a Gronelândia, alegando razões de segurança nacional, o que gerou tensões com a Dinamarca. Recentemente, Trump afastou a possibilidade de intervenção militar e a aplicação de tarifas a países europeus, o que ajudou a acalmar os mercados.
Apesar dessa acalmia, o preço do ouro manteve-se elevado, impulsionado também pela fraqueza do dólar e pela procura crescente por metais preciosos. A captura do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, também contribuiu para a incerteza no mercado, reforçando a procura por ouro como um ativo seguro. A tendência de valorização do preço do ouro parece, assim, estar longe de terminar.
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Fonte: Sapo





