O preço do ouro alcançou a marca histórica de cinco mil dólares por onça, um feito inédito que reflete a procura crescente por ativos seguros em tempos de incerteza. Este aumento é impulsionado por uma série de fatores, incluindo a desvalorização do dólar e tensões geopolíticas que envolvem a presidência de Donald Trump.
Nos últimos dois anos, o preço do ouro tem vindo a subir de forma consistente. Em janeiro de 2024, uma onça do metal precioso era cotada a pouco mais de dois mil dólares (cerca de 1.700 euros). No domingo, por volta das 23h40, o preço do ouro subiu 0,93%, fixando-se em 5.029,39 dólares (4.238,5 euros) a onça.
A recente valorização do ouro foi acentuada pelas tensões em torno da Gronelândia, onde Trump manifestou interesse em anexar a região, ameaçando os aliados europeus com tarifas. Apesar de uma aparente acalmia nas tensões durante o Fórum Económico Mundial de Davos, onde Trump recuou em algumas das suas ameaças, o preço do ouro continuou a sua trajetória ascendente.
Os preços do ouro permanecem sensíveis a eventos geopolíticos, como a situação na Ucrânia, na Faixa de Gaza e no Irão. A instabilidade política nos Estados Unidos, exacerbada pelas ações da Administração Trump, tem afastado os investidores do dólar e das obrigações do Estado, que normalmente são vistos como alternativas seguras ao ouro.
Dan Coatsworth, analista da AJ Bell, afirma que os investidores estão relutantes em abandonar o ouro, especialmente com a possibilidade de novas decisões controversas por parte de Trump. Stephen Innes, da SPI Asset Management, acrescenta que as críticas do presidente à Reserva Federal dos EUA, para que esta baixe as taxas de juro, intensificam a incerteza sobre a política monetária.
Neil Wilson, analista do Saxo Markets, destaca que a desvalorização das moedas e o aumento do endividamento dos Estados têm alimentado a procura por ativos tangíveis, como o ouro. Os investidores estão a procurar proteger o seu património, optando por ativos que possam manter o seu valor a longo prazo.
Além do ouro, outros metais preciosos também têm seguido a mesma tendência. A prata, por exemplo, mais do que duplicou o seu valor desde outubro de 2025, ultrapassando pela primeira vez os 100 dólares (84 euros) a onça. Este aumento é impulsionado pela procura industrial nos setores solar e eletrónico, bem como por uma euforia especulativa que leva os investidores a temerem perder oportunidades.
O preço do ouro e da prata reflete não apenas a busca por segurança, mas também a dinâmica de um mercado em constante mudança. Os investidores continuam a monitorar de perto as evoluções geopolíticas e económicas que podem influenciar o futuro destes metais preciosos.
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Fonte: ECO





