A frustração é uma emoção comum no processo de aprendizagem, especialmente quando tentamos desenvolver competências humanas como empatia, criatividade e colaboração. No ambiente corporativo atual, a procura por estas habilidades nunca foi tão intensa. Relatórios do World Economic Forum indicam que, em 2030, competências como empatia e pensamento crítico serão altamente valorizadas nas organizações. Contudo, o desenvolvimento dessas competências pode ser um desafio, muitas vezes marcado por sentimentos de frustração.
A aprendizagem transformadora exige tempo, repetição e uma abordagem emocional. Muitas vezes, ao enfrentarmos as dificuldades do dia a dia, podemos sentir que falhamos. No entanto, essa sensação não deve ser encarada como um sinal para desistir. É, na verdade, uma resposta natural do nosso cérebro a uma expectativa não cumprida. Este reconhecimento é crucial para quem está a passar por um processo de aprendizagem.
Quando tentamos aprender algo novo, como liderar uma conversa difícil ou falar em público, o nosso cérebro está a formar novas conexões neuronais. No início, estas ligações são frágeis e a informação não flui de forma eficiente. Este esforço consciente pode levar a erros e desânimo, mas é através da consistência que conseguimos superar esses obstáculos. Com o tempo, o comportamento desejado torna-se automático e a competência emerge.
Cada tentativa, mesmo aquelas que parecem falhar, contribui para fortalecer as novas redes neuronais. Este processo é invisível e lento, mas essencial. A repetição, por si só, não é suficiente; a emoção desempenha um papel fundamental. O neurocientista António Damásio, em “O Erro de Descartes”, explica que a emoção é uma aliada da razão, sendo crucial na memorização e na tomada de decisões.
Num ambiente de trabalho que valoriza a gratificação instantânea, a ausência de reconhecimento imediato pode levar ao abandono prematuro do processo de aprendizagem. Por isso, é importante celebrar pequenas vitórias. Reconhecer cada passo dado, por menor que seja, libera dopamina, o neurotransmissor da motivação, que incentiva o cérebro a repetir o comportamento.
O desenvolvimento de competências humanas distingue-se da aprendizagem técnica, pois não se trata apenas de memorizar informações. Estas habilidades são adquiridas através da prática em situações reais, com repetição, emoção e uma boa dose de paciência. À medida que a inteligência artificial assume tarefas técnicas, competências como empatia, comunicação e pensamento crítico tornar-se-ão cada vez mais valiosas.
Embora o caminho para adquirir estas competências possa ser repleto de desafios, a recompensa é significativa. Não se trata apenas de aprender algo novo, mas de transformar a forma como interagimos com o mundo. A pergunta que cada profissional deve fazer a si mesmo não é se se sente frustrado, mas sim que “autoestrada neuronal está disposto a construir hoje?” ou seja, que processo de aprendizagem está preparado para enfrentar com paciência e consistência, visando o sucesso no futuro do trabalho.
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Fonte: ECO





