Crescimento da construção em Portugal: desafios de inovação e sustentabilidade

A Fundação Mestre Casais, em colaboração com a AICCOPN, apresentou os resultados do Barómetro da Indústria da Construção em Portugal 2025. Este estudo, que recolheu as opiniões de 40 CEOs de grandes empresas do setor, revela um panorama de crescimento, mas também de estagnação estrutural.

José Gomes Mendes, presidente-executivo da Fundação Mestre Casais e professor de Engenharia Civil na Universidade do Minho, destaca que, apesar do crescimento vigoroso, o setor da construção em Portugal continua a enfrentar fragilidades antigas. Os líderes do setor reconhecem os principais obstáculos à produtividade, como a falta de inovação, formação e digitalização, mas a implementação dessas práticas ainda é limitada. “Cresce-se, mas ainda não se transforma”, afirma Mendes.

Os dados do Barómetro mostram um otimismo significativo, com 100% das empresas a preverem crescimento em 2025, sendo que 30% esperam um aumento de faturação superior a 15%. Este crescimento é impulsionado principalmente pelo mercado privado, especialmente no segmento residencial, que representa 39% do total, superando o papel do Estado e das autarquias.

No entanto, o crescimento do setor da construção em Portugal assenta em bases frágeis. Cerca de 60% das empresas não operam internacionalmente, e a confiança na economia nacional caiu para 6,35 pontos numa escala de 0 a 10. Manuel Reis Campos, presidente da AICCOPN, sublinha que o dinamismo do setor é maioritariamente impulsionado pelo mercado privado, enquanto as políticas públicas falham em gerar a confiança necessária. “O setor precisa de maior previsibilidade e capacidade de execução por parte do Estado”, afirma.

Uma das conclusões mais preocupantes do Barómetro é a dificuldade em transformar a consciência sobre a importância da inovação em ações concretas. Embora os líderes reconheçam que a inovação e a digitalização são essenciais para a produtividade, a adoção dessas práticas é mínima. Apenas 3% das empresas implementaram totalmente a industrialização, e a utilização de Inteligência Artificial é igualmente escassa, com apenas 3% a utilizarem-na de forma plena. Além disso, 90% das empresas investem 1% ou menos da sua faturação em investigação e desenvolvimento.

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O estudo revela que mesmo as empresas com alvarás mais elevados são, na verdade, Pequenas e Médias Empresas (PME) em termos europeus, com 62,5% a ter menos de 250 colaboradores e a faturar menos de 20 milhões de euros. Esta limitação de escala dificulta o investimento necessário em I&D. Os CEOs reconhecem a necessidade de adotar tecnologias como Inteligência Artificial e modelação digital, mas a implementação continua a ser um desafio.

José Gomes Mendes reitera que o setor da construção em Portugal está “preso a fragilidades estruturais antigas”. Apesar do crescimento, a falta de adoção de práticas inovadoras impede a verdadeira transformação do setor.

Os desafios não se limitam à inovação. A escassez de mão-de-obra qualificada e o envelhecimento da força de trabalho são identificados como os principais obstáculos à execução de projetos, com 47% das empresas a apontarem a falta de mão-de-obra como um risco significativo. A sustentabilidade, por sua vez, é mais uma questão retórica do que prática, com apenas 5% das empresas a integrarem totalmente práticas sustentáveis nos seus modelos de negócio.

A fragmentação do setor também é um entrave ao investimento. Cerca de 85% das empresas têm menos de 250 trabalhadores, e mais de 60% faturam menos de 20 milhões de euros anualmente. Esta realidade dificulta a modernização tecnológica necessária para competir no mercado europeu.

António Carlos Rodrigues, CEO do Grupo Casais, acredita que o setor demonstra resiliência e capacidade de crescimento, apesar dos desafios. “O desafio agora é integrar de forma plena a digitalização, a industrialização e a sustentabilidade no modo como se constrói”, conclui.

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construção em Portugal Nota: análise relacionada com construção em Portugal.

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Fonte: Sapo

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