As competências necessárias para garantir a empregabilidade estão a passar por uma transformação significativa. Hoje em dia, não basta dominar uma ferramenta ou uma linguagem de programação; é essencial compreender ecossistemas tecnológicos, desenvolver pensamento crítico, resolver problemas complexos e colaborar em ambientes cada vez mais híbridos e dinâmicos.
Em Portugal, assim como no resto da Europa, a escassez de talento tecnológico continua a ser um dos maiores desafios enfrentados pelas empresas. De acordo com o mais recente “Report on the State of the Digital Decade” da Comissão Europeia, apenas cerca de 55% dos cidadãos europeus possuem competências digitais básicas. Além disso, a União Europeia conta com cerca de 9 milhões de profissionais de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), um número ainda distante do objetivo de 20 milhões até 2030.
Este panorama reflete uma falta de talento que se apresenta como um desafio para as empresas, mas também como uma oportunidade para aqueles que investem na formação e na atualização contínua. A empregabilidade deixou de ser associada a uma profissão fixa; agora, é uma construção permanente que exige aprendizagem constante e capacidade de adaptação. As empresas estão à procura de profissionais com uma visão integrada, capazes de cruzar tecnologia, negócios e comunicação. É precisamente nesta interseção que a formação deve atuar: preparar profissionais que não só sejam tecnicamente competentes, mas que também consigam reinventar-se perante novas exigências.
Nos últimos anos, a formação técnica evoluiu para um modelo mais alinhado com as necessidades do mercado, focando na aplicabilidade e em contextos reais. Os percursos formativos atuais combinam certificações internacionais, projetos práticos e o desenvolvimento de soft skills essenciais, como pensamento crítico, comunicação e trabalho em equipa. Esta abordagem não só aumenta a empregabilidade imediata, como também fortalece a capacidade de progressão ao longo da carreira.
O futuro da empregabilidade está também ligado à capacidade de aprender continuamente e de transformar conhecimento em valor. As organizações de formação que abraçam esta missão têm a responsabilidade de antecipar tendências, identificar competências emergentes e preparar os profissionais para os desafios que se avizinham.
Competências relacionadas com análise de dados, cibersegurança, cloud computing, automação e inteligência artificial são hoje fundamentais para a competitividade das empresas. Contudo, o verdadeiro diferencial reside na combinação destas competências técnicas com a capacidade de colaborar, aprender rapidamente e inovar.
Formar para a empregabilidade significa, acima de tudo, formar para a autonomia. Trata-se de capacitar as pessoas para que compreendam o seu papel num mercado em constante mutação, onde o conhecimento é o motor do progresso. Num cenário em que a tecnologia redefine o trabalho, o maior investimento que qualquer profissional pode fazer é em si próprio. Por sua vez, o maior compromisso que uma organização de formação pode assumir é preparar as pessoas para o futuro, e não apenas para o presente.
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Fonte: ECO





