Novos acordos comerciais da UE com Mercosul e Índia

A União Europeia (UE) anunciou recentemente a conclusão das negociações de acordos comerciais com o Mercosul e a Índia, um passo significativo para fortalecer as relações económicas em um cenário internacional em mudança. Enquanto o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, desmantelava o sistema comercial baseado em regras, a UE avança com estas parcerias estratégicas.

O Acordo de Parceria UE-Mercosul (APEM) e o Acordo Comercial Provisório (ACI) foram finalmente aprovados, após longas negociações que envolveram Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. O Mercosul é atualmente o décimo parceiro comercial da UE, com exportações que atingem 55 mil milhões de euros em bens e 29 mil milhões de euros em serviços. Além disso, a UE é o maior investidor estrangeiro na região, com um volume de 390 mil milhões de euros em 2023.

Apesar do avanço, a aprovação final dos acordos comerciais da UE ainda depende do Parlamento Europeu, onde existem dúvidas sobre a sua aceitação, especialmente devido a questões relacionadas com a agricultura. As tarifas no Mercosul são significativamente mais altas, podendo chegar a 55%, o que sugere que a região poderá beneficiar mais com este acordo. No entanto, a aproximação de quase 300 milhões de habitantes da América do Sul à esfera europeia é vista como uma oportunidade valiosa para a projecção global da UE.

No que diz respeito à Índia, as negociações para um Acordo de Comércio Livre (ACL) começaram em 2007, foram suspensas em 2013 e relançadas em 2022. Tal como no caso do Mercosul, a aprovação deste acordo ainda requer a validação do Conselho Europeu e do Parlamento Europeu, além de processos equivalentes na Índia. A Comissão Europeia estima que este acordo possa duplicar o comércio entre as partes até 2032, com a eliminação ou redução de tarifas em 96,6% dos bens. A Índia, que representa 2,4% das exportações da UE, é o nono parceiro comercial da união, ficando atrás dos EUA, China e Reino Unido.

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Algumas tarifas, como as que incidem sobre automóveis, deverão ser reduzidas gradualmente, embora o calendário para tal ainda não esteja definido. A economia indiana, que cresce a um ritmo de cerca de 7%, apresenta um cenário mais dinâmico em comparação com o Mercosul, e as expectativas são de que a aprovação do acordo não enfrente tantas dificuldades.

Estes novos acordos comerciais da UE são uma escolha estratégica, uma vez que envolvem democracias, mesmo que imperfeitas. A sua concretização reflete as sugestões do recente discurso do primeiro-ministro canadiano em Davos e estavam em preparação antes da sua intervenção.

Leia também: O impacto dos acordos comerciais na economia europeia.

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Fonte: Sapo

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