Bancos reduzem juros no crédito a empresas e antecipam procura

O mais recente Inquérito aos Bancos sobre o Mercado de Crédito, divulgado pelo Banco de Portugal, revela que, no quarto trimestre de 2025, as instituições financeiras mantiveram critérios de concessão de crédito estáveis. No entanto, houve uma ligeira flexibilização nas condições para as empresas, impulsionada pela concorrência no setor bancário e por uma diminuição marginal das taxas de juro.

O questionário foi enviado aos bancos a 15 de dezembro de 2025, com respostas recebidas até 13 de janeiro de 2026. A avaliação abrange a oferta e a procura de crédito no quarto trimestre de 2025, comparando com o trimestre anterior, enquanto as expetativas se referem ao primeiro trimestre de 2026.

Em relação à oferta de crédito, o Banco de Portugal destaca que, embora os critérios para aprovação de novos empréstimos tenham permanecido inalterados, os bancos reportaram uma ligeira redução nas taxas de juro e nos spreads em empréstimos de risco médio, especialmente para PME e grandes empresas. Para as PME, também se observou um alívio nas restrições quanto a montantes e maturidades.

A concorrência bancária, as condições de financiamento de mercado e uma visão mais otimista sobre setores específicos e garantias foram fatores que contribuíram para esta evolução. No crédito a particulares, não se registaram alterações significativas.

A proporção de pedidos de crédito rejeitados manteve-se estável em todos os setores. Para o futuro próximo, espera-se que os critérios para PME e empréstimos de curto prazo se tornem ligeiramente menos restritivos, enquanto se prevê a estabilidade no crédito às famílias.

No segmento da habitação, a oferta de crédito manteve-se firme. Apesar das perspetivas do mercado imobiliário e da expectativa de evolução dos preços, não houve impacto significativo na política de concessão de crédito.

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Do lado da procura, verificou-se um aumento, especialmente por parte das PME e para empréstimos de curto prazo. As necessidades de financiamento de existências e fundo de maneio foram os principais motores deste crescimento, além do investimento e das taxas de juro. Em contrapartida, o uso de capitais próprios e a emissão de títulos de dívida por grandes empresas atenuaram a necessidade de recorrer ao crédito bancário.

Entre os particulares, observou-se um ligeiro aumento na procura em todos os segmentos. No crédito à habitação, este comportamento foi influenciado pelo atual regime regulamentar e fiscal, enquanto no consumo se destacou o recurso a empréstimos garantidos por imóveis.

As expetativas dos bancos para o primeiro trimestre de 2026 apontam para a continuidade do aumento da procura, focada em PME e empréstimos de curto prazo, com critérios de concessão que podem tornar-se menos restritivos. Por outro lado, a procura de crédito por parte dos particulares deverá estabilizar.

O relatório do Banco de Portugal também indica uma melhoria no acesso ao financiamento através da emissão de dívida, um cenário que deverá manter-se estável. Embora as condições de financiamento bancário tenham ficado ligeiramente mais restritivas, isso não afetou os critérios de concessão de crédito a empresas ou particulares.

No que diz respeito aos setores económicos, os critérios de crédito tornaram-se mais rigorosos para a indústria automóvel, mas aliviaram nos serviços e no comércio. Para o próximo semestre, antecipa-se um aumento da procura de empréstimos na indústria, construção e imobiliário residencial.

Apesar da incerteza no comércio internacional, os bancos consideram a exposição a esses riscos como pouco relevante, embora tenham adotado critérios mais restritivos para empresas expostas ao mercado global. O impacto das tarifas alfandegárias anunciadas pelos EUA em abril de 2025 foi considerado moderado, sem danos significativos nos indicadores de capital, liquidez ou rentabilidade dos bancos.

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Fonte: Sapo

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