Portugal pode liderar na produção industrial sustentável

Um recente estudo da NOVA School of Business and Economics (NOVA SBE) intitulado “Oportunidade Industrial Verde em Portugal” aponta que o país tem todas as condições para se afirmar como um dos líderes europeus na produção industrial sustentável. No entanto, para alcançar esse objetivo, é fundamental que Portugal transforme o investimento em transição energética numa verdadeira vantagem competitiva no mercado internacional.

O estudo revela que a adoção de sistemas de certificação ambiental em setores-chave da indústria portuguesa pode ter um impacto significativo, traduzindo-se num aumento potencial de 0,8% no Produto Interno Bruto (PIB), o que corresponde a cerca de 9.611 milhões de euros. Além disso, estima-se que a implementação dessas práticas possa gerar cerca de 49 mil novos empregos, representando uma subida de cerca de 1% no emprego nacional.

Portugal apresenta uma “oportunidade particularmente relevante” para se destacar neste campo, graças à sua matriz energética renovável, localização geográfica e uma base industrial fortemente orientada para a exportação. A indústria “hard to abate”, como a siderurgia e a produção de vidro, enfrenta desafios na descarbonização, mas também pode beneficiar do reconhecimento por parte dos consumidores, evitando que a transição energética seja vista apenas como um custo.

A equipa liderada por João Duarte, professor associado da NOVA SBE, analisou dados de vendas de produtos sustentáveis em grandes retalhistas internacionais, como a Amazon. O estudo revelou que produtos com o selo Climate Pledge Friendly (CPF) tiveram um aumento médio de 13% nas vendas brutas após a atribuição do selo. No caso do IKEA, produtos que destacam a utilização de materiais reciclados apresentaram uma valorização média de 33,4% em relação a produtos sem essa informação.

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Os resultados indicam que os consumidores estão dispostos a pagar mais por produtos sustentáveis, desde que a informação seja credível e verificável. A certificação independente da sustentabilidade emerge, assim, como um fator decisivo para a competitividade da indústria portuguesa. João Duarte sublinha que a capacidade de provar, com rigor, que se produz de forma sustentável será crucial para o futuro da indústria em Portugal.

Thomas Carrier, CEO da REGA ENERGY, que apoiou a realização do estudo, reforçou que Portugal possui “vantagens competitivas claras” devido à sua base industrial robusta, à forte dimensão da energia renovável e à presença de talento internacional. Carrier acredita que o país pode transformar a transição climática numa fonte de competitividade, fazendo do “Made in Portugal” um sinónimo de “Made Sustainable”.

Durante a apresentação do estudo, Renata Gomes, diretora adjunta da AICEP, destacou o “valor estratégico” da sustentabilidade para a economia, num momento crucial para a competitividade e modernização do país. A discussão incluiu a participação de Pedro Siza Vieira, ex-ministro da Economia, que partilhou a sua experiência sobre a marca Portugal no exterior.

Num painel que contou com representantes da APED, APPB e REGA ENERGY, foi enfatizada a importância de criar mecanismos de certificação credíveis, acompanhados por uma estratégia concertada para afirmar a marca Portugal como um país produtor de produtos confiáveis e sustentáveis.

Leia também: O impacto da transição energética na economia portuguesa.

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Fonte: Sapo

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