O acesso à habitação em Portugal tornou-se um desafio crescente, com famílias a enfrentarem a crise na habitação que se agrava a cada dia. Um estudo recente da Century 21 revela que, nas principais regiões do país, adquirir uma casa de 90 metros quadrados, considerada a referência para uma habitação familiar, é uma meta inatingível para muitas famílias.
Os dados do estudo indicam que, em Lisboa e Cascais, o preço de um imóvel com 90 metros quadrados varia entre 420 mil e 450 mil euros. Em Oeiras, o valor ronda os 380 mil euros, enquanto na Amadora os preços situam-se entre 210 mil e 240 mil euros. Nos restantes concelhos, os valores oscilam entre 210 mil e 290 mil euros. No que diz respeito ao arrendamento, as rendas mensais variam entre 1.100 e 1.700 euros, com o Montijo a ser a única exceção, apresentando valores abaixo dos 1.000 euros.
Comparando com há três anos, o cenário é alarmante: comprar uma casa de 90 metros quadrados implica atualmente um aumento de 68 mil a 114 mil euros, traduzindo-se em prestações mensais cerca de 300 euros mais altas. No arrendamento, os aumentos podem chegar a 400 euros mensais, enquanto os salários subiram apenas cerca de 200 euros. Esta disparidade faz com que a maioria dos concelhos da Área Metropolitana de Lisboa (AML) se torne “inacessível”, com uma taxa de esforço superior a 50% do rendimento líquido para a compra de uma casa de 90 metros quadrados. Apenas Alcochete, Barreiro, Montijo e Seixal apresentam taxas de esforço elevadas, entre 34% e 50%.
Se considerarmos um orçamento “sem esforço”, onde os encargos com prestações não ultrapassam 33% do rendimento, a área acessível para compra encolheu drasticamente. Em Lisboa, Cascais e Oeiras, as famílias só conseguem adquirir imóveis entre 35 e 45 metros quadrados. Na Margem Sul do Tejo, a área acessível caiu de 85 a 95 metros quadrados em 2022 para apenas 55 a 65 metros quadrados atualmente.
Ricardo Sousa, CEO da Century 21, destaca que este fenómeno não se limita aos grandes centros urbanos, mas alastrou-se de forma significativa às áreas metropolitanas de Lisboa, Porto e Algarve. Segundo Sousa, em 2025, todas as cidades dessas regiões tornar-se-ão inacessíveis para uma família média que entra pela primeira vez no mercado.
No Porto, a situação é preocupante, embora menos grave. Os rendimentos médios variam entre 1.600 euros na Póvoa de Varzim e 1.950 euros na cidade do Porto. O preço médio de uma casa de 90 metros quadrados oscila entre 180 mil euros em Valongo e Gondomar e 324 mil euros na cidade do Porto. No arrendamento, as rendas variam entre 900 e 1.400 euros.
No Algarve, a crise na habitação é igualmente severa, com taxas de esforço a variar entre 57% e 96%. As famílias com rendimentos mensais entre 1.400 e 1.674 euros encontram preços que vão de 260 mil euros em Faro e Portimão a 360 mil euros em Loulé. As rendas também sofreram um aumento significativo, situando-se entre 1.100 e 1.400 euros, com subidas superiores a 60% nos últimos três anos.
A crise na habitação em Portugal continua a pressionar as famílias, que se veem obrigadas a optar por casas cada vez menores. Leia também: O impacto da crise na habitação nas famílias portuguesas.
crise na habitação Nota: análise relacionada com crise na habitação.
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Fonte: ECO





