Os bancos espanhóis em Portugal conseguiram manter os seus lucros praticamente inalterados em 2025, totalizando 1,8 mil milhões de euros, apesar da descida das taxas de juro que afetou a margem financeira. O Santander Totta destacou-se, apresentando resultados líquidos de 963,8 milhões de euros, o que representa quase metade dos lucros gerados pelos quatro bancos espanhóis que operam no país.
O CEO do Santander Totta, Pedro Castro e Almeida, que se prepara para passar o testemunho a Isabel Guerreiro no início de março, sublinhou que a rentabilidade dos capitais próprios do banco ultrapassou os 30%. Apesar de uma queda de 12,5% na margem financeira, o banco conseguiu compensar essa perda através de várias fontes de receita, como comissões e resultados de operações financeiras. “Somos o banco mais rentável de Portugal e um dos mais rentáveis na Europa”, afirmou Castro e Almeida, deixando um legado sólido para a sua sucessora.
Por outro lado, o BPI, que pertence ao Caixabank, não teve um desempenho tão positivo. Os lucros caíram quase 13%, fixando-se em 512 milhões de euros, devido a uma redução superior a 10% na sua margem financeira. O CEO do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, acredita que a situação está a estabilizar e que o banco poderá manter a sua margem nos níveis atuais.
Os dividendos a serem enviados para Madrid também foram anunciados. O Santander Totta planeia distribuir 90% dos seus lucros, o que se traduz em cerca de 867 milhões de euros. O BPI, por sua vez, irá pagar 75% dos resultados em Portugal e 100% dos lucros obtidos em Moçambique e Angola, estimando um total de 428 milhões de euros.
Além do Santander e do BPI, a banca espanhola em Portugal inclui o Abanca e o Bankinter. O Abanca, que recentemente adquiriu o Eurobic, reportou lucros de 103 milhões de euros, um aumento de 10% em relação ao ano anterior. O Bankinter, que comprou o negócio do Barclays em 2016, registou lucros antes de impostos de 210 milhões de euros, embora a sua margem tenha ligeiramente diminuído.
Um dos fatores que ajudou a mitigar o impacto da descida das taxas de juro foi o aumento do volume de crédito. A carteira de empréstimos dos quatro bancos espanhóis totaliza 107 mil milhões de euros, um crescimento de 7,2% em relação ao final de 2024. Esta situação confere à banca espanhola uma quota de mercado de cerca de 49% em Portugal. A garantia pública para jovens também tem impulsionado a procura no segmento da habitação, beneficiando todos os bancos.
Em termos de depósitos, as instituições espanholas mantêm mais de 90 mil milhões de euros em poupanças de famílias e empresas portuguesas, representando um terço do mercado. Nos próximos dias, outros bancos de destaque, como a Caixa e o BCP, irão divulgar os seus resultados de 2025, enquanto o Novobanco, agora sob a propriedade do Groupe BPCE, apresentará as suas contas no início de março.
Leia também: O impacto da descida das taxas de juro na banca portuguesa.
banca espanhola banca espanhola banca espanhola Nota: análise relacionada com banca espanhola.
Leia também: Ações com elevados dividendos que os reformados vão adorar
Fonte: ECO





