A transformação digital não é um domínio exclusivo dos mais jovens. Pelo contrário, os trabalhadores mais experientes têm desempenhado um papel fundamental na integração de novas tecnologias nas empresas. Michael Clinton, especialista em longevidade, defende que a experiência do talento mais velho pode ser uma mais-valia na definição da estratégia de Inteligência Artificial (IA) nas organizações.
Clinton, que estará em Lisboa para a 3ª Conferência Idade Maior, a 24 de fevereiro, salienta que a convivência entre várias gerações no local de trabalho é vantajosa. O talento mais jovem traz novas perspetivas, enquanto o talento mais velho oferece uma visão amadurecida pela experiência. Estudos demonstram que equipas multigeracionais tendem a ter melhores resultados, reforçando a importância de uma mentalidade de aprendiz, especialmente com o aumento da esperança média de vida.
Atualmente, muitas empresas ainda operam sob um modelo de gestão do século XX, focando-se em afastar trabalhadores mais velhos à medida que se aproximam dos 60 anos. Contudo, a realidade é que muitos destes profissionais desejam e são capazes de continuar a trabalhar. A discriminação etária é um problema comum, não apenas em Portugal, mas a nível global. A crença de que o talento mais velho não acompanha as novas tecnologias é um mito que precisa ser desmistificado.
Com a escassez de talento jovem, as empresas que não valorizam o talento mais velho correm o risco de perder uma parte significativa da sua força de trabalho. Clinton menciona exemplos de empresas, como a L’Oréal, que implementam programas para integrar todas as gerações e promover a requalificação de colaboradores com mais de 50 anos. Este tipo de iniciativa é crucial para garantir que a experiência acumulada não se perca.
A Inteligência Artificial pode transformar a forma como os trabalhadores mais velhos interagem com os empregadores. A experiência acumulada por estes profissionais pode ser utilizada para definir estratégias eficazes de IA, tal como aconteceu durante a transformação digital. A aprendizagem contínua é essencial, e as empresas devem garantir que todos os colaboradores, independentemente da idade, tenham acesso a programas de formação.
A diversidade etária nos locais de trabalho traz vantagens significativas. Cada geração oferece uma perspetiva única, e a colaboração entre diferentes faixas etárias pode resultar em soluções mais criativas e eficazes. Para que isso aconteça, é fundamental que as empresas estabeleçam uma cultura inclusiva, onde todos os colaboradores se sintam valorizados.
À medida que a expectativa de vida aumenta, as empresas que não se adaptarem a esta nova realidade poderão enfrentar sérios desafios. A capacidade de reter e valorizar o talento mais velho será um fator determinante para o sucesso a longo prazo. As organizações que reconhecem a importância da experiência e da diversidade etária estarão melhor posicionadas para prosperar no futuro.
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Fonte: ECO





