O cenário geopolítico na Gronelândia ganhou um novo impulso com a abertura, esta sexta-feira, dos primeiros consulados do Canadá e de França na capital Nuuk. Esta decisão surge como uma resposta às ambições de Donald Trump sobre o território, que têm sido vistas como um alerta para a Europa, segundo Rob Jetten, um dos líderes políticos dos Países Baixos.
França destaca-se ao tornar-se o primeiro país da União Europeia a estabelecer uma representação diplomática na Gronelândia. Este território, que faz parte do Reino da Dinamarca, é visto como uma área de crescente importância geoestratégica, especialmente devido à sua localização no Ártico e ao seu subsolo rico em recursos como petróleo, gás natural e minerais raros.
Pedro Trovão do Rosário, Professor Associado da Universidade Autónoma de Lisboa, explica que a Gronelândia não é apenas a maior ilha do mundo, mas também se tornará cada vez mais relevante à medida que o degelo do Ártico, previsto para 2025, abrir novas rotas marítimas. Esta mudança climática poderá transformar a Gronelândia numa rota estratégica para o comércio internacional e para a colocação de material militar.
As ambições de Trump em relação à Gronelândia, que incluem a possibilidade de um controle militar, foram inicialmente expressas de forma controversa, mas o presidente dos EUA acabou por recuar em algumas das suas declarações. A escalada das tensões na região também se deve a ações militares dos EUA na Venezuela, onde a captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas levantou questões sobre a legalidade e a soberania.
Pedro Trovão do Rosário sublinha que a atuação dos EUA na Venezuela e o seu interesse na Gronelândia refletem uma clara violação do Direito Internacional. A intervenção militar em território soberano sem consentimento, como ocorreu na Venezuela, contraria os princípios estabelecidos pela Carta das Nações Unidas e pela Convenção de Montevidéu.
A abertura dos consulados na Gronelândia por parte do Canadá e de França pode ser vista como uma tentativa de equilibrar a influência dos EUA na região. À medida que a Gronelândia se torna um ponto focal nas dinâmicas geopolíticas do Ártico, a presença diplomática de países aliados poderá ser crucial para a estabilidade e a segurança da região.
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Fonte: Sapo





