O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) está a ter um impacto significativo no mercado da construção em Portugal, reconhece Pedro Dominguinhos, responsável pela sua execução. Em entrevista ao Jornal Económico, Dominguinhos sublinha que o PRR não só traz vantagens, mas também está a elevar os preços base das obras, resultado da pressão do tempo e da escassez de mão de obra.
“É verdade que o PRR está a aquecer o mercado em vários setores, especialmente na construção e, indiretamente, no mercado da habitação”, afirma o economista. Esta pressão nos custos é exacerbada por outros fatores, como a atratividade de residentes não habituais e o turismo, que também contribuem para o aumento dos preços.
Os custos elevados têm levado algumas entidades a desistirem de candidaturas ao PRR. “Algumas organizações perceberam que os custos e as receitas que precisavam angariar, através de bancos ou autarquias, tornavam os projetos financeiramente insustentáveis”, revela Dominguinhos. Em certos casos, o financiamento do PRR, apesar de ser integral, não cobria nem 50% das despesas das obras.
Além disso, o responsável destaca que muitos concursos ficaram desertos devido a atrasos nos pagamentos e à burocracia. “Houve várias situações em que instituições, como misericórdias, lançaram concursos várias vezes e acabaram por desistir, porque não encontraram empresas dispostas a realizar as obras dentro dos prazos exigidos pelo PRR”, lamenta.
O futuro não promete melhorias neste cenário. Dominguinhos expressa dúvidas sobre a possibilidade de ajustamentos nos custos de construção após o PRR, uma vez que a elevada demanda por obras públicas e privadas deverá manter os preços elevados. “Mesmo com a recente redução do preço do aço, ainda estamos longe dos valores anteriores à invasão da Ucrânia”, explica.
A pressão sobre a mão de obra é um problema que se agrava, não apenas em Portugal, mas em toda a Europa. Outros PRR estão a exigir mais trabalhadores, criando uma escassez no mercado da construção. “Desde abril, o acordo do Governo para acelerar a entrada de trabalhadores trouxe apenas mil pessoas, enquanto as necessidades no setor rondam as 80 a 90 mil”, aponta Dominguinhos, considerando isso um risco sistémico para a economia portuguesa.
Com a natalidade em declínio e a falta de competências a afetar vários setores, as necessidades de mão de obra não vão diminuir. O pipeline de obras públicas pós-PRR prevê a remodelação de 237 escolas e a construção ou renovação de mais de 30 mil casas, além de projetos de ferrovia e hospitais. “Nos próximos cinco anos, a pressão sobre a mão de obra será intensa”, conclui Dominguinhos.
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Fonte: Sapo





