No passado sábado, 30 de janeiro, o presidente da Junta de Freguesia de Meirinhas, João Pimpão, fez-se ouvir no congresso da ANAFRE, onde apelou à atenção para as populações afetadas pela tempestade Kristin. Com um tom elevado e um colete fluorescente, ele pediu que não o interrompessem com aplausos, para que pudesse expressar a gravidade da situação.
A jornada de Pimpão começou às 6h30 da manhã, quando partiu de Meirinhas para Portimão, acompanhado pela filha, Maria João. Na quarta-feira anterior, ambos tinham percorrido as áreas devastadas, onde cerca de 180 empresas enfrentaram danos severos, algumas até destruídas. Maria João recorda que a decisão de ir ao Algarve foi difícil, mas necessária, dada a devastação que presenciaram.
Às 6h30, uma fila já se formava à porta de uma loja de materiais de construção, à espera da abertura às 10h. A destruição era visível ao longo do IC2, com fábricas a reportar prejuízos que ultrapassam os 20 milhões de euros. A falta de eletricidade era um problema crítico, e uma das fábricas, mesmo sem energia, tornou-se um ponto de luz numa região mergulhada na escuridão.
Na terça-feira seguinte, ao chegarem à coletividade da Rua da Fonte, Pimpão estava novamente a trabalhar, agora a coordenar voluntários. A Junta de Freguesia transformou-se num centro de apoio, com geradores a fornecer eletricidade e acesso à internet via satélite, uma solução temporária enquanto as operadoras tentavam restabelecer os serviços.
Durante a visita, o secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, chegou para se inteirar da situação. Ele partilhou que viveu a tempestade na região e reconheceu a gravidade da catástrofe. “Nunca tivemos nada que se parecesse com isto”, afirmou, referindo-se à dimensão da tempestade Kristin e aos danos causados.
Após a refeição que serviu a bombeiros e voluntários, Pimpão expressou a sua gratidão pelo esforço da comunidade. Ele enfatizou a importância de trazer as autoridades para testemunhar a resiliência das populações afetadas. Com a falta de comunicação, a Junta tem sido fundamental para a distribuição de víveres e apoio à população.
Desde o dia 28 de janeiro, a comunidade tem enfrentado desafios diários, com a falta de luz e água a complicar a vida. Os geradores itinerantes têm sido uma solução temporária, enquanto a Junta se esforça para atender a todas as necessidades da freguesia.
Maria João, que estava em Lisboa a estudar Relações Internacionais, é reconhecida por todos na comunidade. A sua ligação ao pai, o presidente da Junta, facilita a comunicação e a ajuda entre os habitantes. A situação é crítica, mas a solidariedade e o apoio mútuo têm sido a força motriz para enfrentar os desafios impostos pela tempestade Kristin.
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tempestade Kristin tempestade Kristin Nota: análise relacionada com tempestade Kristin.
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Fonte: ECO





